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Crónica: O Brasil visto por um português

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O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral em 1500, quando este tentava chegar às Índias. Portugal, país colonizador, que inicia o seu processo de independência com o filho a bater na mãe (segundo alguns registos históricos) e descobre outro por mero acaso tentando chegar a outro destino, todo o processo, juntamente com o da independência parecem uma rábula humorística.

Segundo os estudos sobre a localização geográfica da corrupção, conclui-se que, quanto mais próximo da linha do equador estiver o país, maior terá a tendência a este ter um elevado nível de corrupção.

Na classe política, o Brasil é um exemplo da pluralidade de protagonistas e de interesses. Desde a eleição do Palhaço Tiririca, ao Futebolista Romário, chegando ao menino do povo trabalhador que chegou a Presidente, Lula da Silva.

Lula da Silva, homem com princípios de esquerda progressista, foi protagonista de um elevado crescimento económico do seu país, foi visto como um exemplo de um ser humano humilde, vindo da classe operária, com grande clareza de pensamento e discurso, um homem que conhece as necessidades das pessoas e sabe o que é ser pobre, sabe quais são as principais dificuldades das suas gentes.

Contudo, o seu momento de graça esvaneceu-se após a sucessão para a “presidenta”. Dilma Rousseff tentou dar continuidade às políticas de Lula, mas sem a maioria no congresso a situação ficou insustentável. Iniciaram-se denúncias e vários casos de corrupção envolvendo pessoas próximas do poder e pessoas do poder político. Começou o processo de ataque e saque ao poder!

O Pedido de “Impeachment” contra Dilma seria totalmente legítimo se tivesse como principal proponente alguém que não estivesse envolvido noutros escândalos de corrupção. A ideia que se cria é que a classe política, principalmente no Brasil é facilmente corrompida e envolve-se em esquemas ilegais que beneficiam alguns privados, prejudicando toda a sociedade pagante de impostos.

As desigualdades sociais são cada vez mais evidentes, o desemprego a atingir níveis elevados, o crescimento económico tímido, os sistemas públicos de transportes e saúde com níveis de saturação inimagináveis e, como se tais situações não fossem evidentes, vemos a criminalidade a aumentar.

Sobre os níveis de criminalidade, podemos analisar a criminalidade segundo o seu grau de gravidade, relativamente ao Brasil, a criminalidade mais grave está em elevada evolução. É normal vermos vídeos na internet com assaltos à mão armada a viaturas, casas e lojas, começa a ser banal encontrarmos pessoas mortas na rua ou à porta de casa por resistirem ou simplesmente por estarem no local errado, à hora errada. Na ótica europeia, perguntamos “e ninguém faz nada?” ou ainda “ninguém chama a polícia?” a estas perguntas, a respostas podem ser constrangedoras para alguns políticos e polícia.

A polícia é vista como conivente nalguns crimes, ou ainda mais grave, as forças policiais são vistas como criminosos que têm como principal objetivo satisfazer as suas necessidades sem olhar a meios legais. Marielle Franco foi apenas mais um exemplo, apenas mais um número, apenas mais uma voz silenciada pelas balas.

Nem todos os políticos brasileiros serão corruptos como aqueles que vão sendo notícia, nem todos os polícias são corruptos e assassinos, mas as notícias que vão chegando à europa induz-nos a pensar na corrupção generalizada e descontrolada que vai do polícia ao juiz, sem esquecer o senador, deputado ou mesmo o atual presidente.

Assim vai o mundo, assim chegam as notícias, as piores notícias de um país irmão com gente de bom coração, boa energia e de um otimismo invejável. O país das telenovelas, do carnaval, do samba, das praias, das grandes vozes musicais, e dos fenómenos das redes sociais como o Carlinhos Maia e Pablo Vittar.  É deste país que pretendo receber notícias, o país das boas notícias!

Manuel Mendes


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