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Crónica: Estamos preparados para a violência? 

Fabiano de Abreu

Vivi em uma comunidade portuguesa na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. E eu, filho de portugueses, em uma terra com muitos patrícios, como chamamos os conterrâneos, lá cresci e vi também a violência crescer na dita Cidade Maravilhosa.

Em Portugal, a violência ainda não é um factor que nos cause tanta preocupação, quando estamos a comparar com os números de outros países europeus. Mas com a demanda do turismo, com o crescimento populacional e a livre circulação de pessoas, proporcionada pela zona do Euro, assim como o aumento do padrão financeiro, é provável que logo isso será uma realidade cá também. E desde já temos que perguntar:

Estaria a nossa polícia preparada para isso?

Percebo que em muitos casos de violência em Portugal, principalmente de furtos, não encontram-se os culpados. Tenho visto que a imprensa em geral noticia o furto, mas depois não averigua se este terá sido resolvido.

Temos cá a tecnologia e os meios para encontrar os responsáveis por tais delitos?

Em um primeiro momento, cheguei a acreditar, equivocadamente, que os bandidos seriam os estrangeiros, os refugiados. Mas ao utilizar-me do jornalismo investigativo, apurei em pouco tempo que não: na verdade, são portugueses mesmo que estão a roubar, em sua grande maioria.

Tenho como referência para analisar a questão, por motivos óbvios, o Brasil, aonde infelizmente são reportados inúmeros casos de violência todos os dias. A maioria dos crimes no Brasil não chega a ser solucionado pela polícia brasileira. De cada 100 crimes em investigação, mais de 90 seguem sem solução. E, assim, somente uma faixa de 5% a 8% dos criminosos são efetivamente punidos por lá.

Já estive em mais de 15 países, devido a meu trabalho como jornalista internacional e escritor, e assim tenho alguma experiência para avaliar, dentro dos respectivos contextos social e cultural, o fenómeno da violência, assim como medidas que podem funcionar no combate ao seu avanço.

No Brasil, por exemplo, uma cidade como Penafiel, com 70 mil habitantes, não poderia haver violência. Historicamente, cidades com menos de 100mil habitantes no Brasil apresentam números de casos de assalto e homicídios muito baixos, próximos ou ate mesmo mais baixo que os de países Nórdicos, como Suécia e Finlândia. Assim, causa-me espanto tomar conhecimento da ocorrência de muitos assaltos no Concelho, alguns casos inclusive sem solução, sem que as investigações apontem os culpados. Até mesmo em Castelo de Paiva, que é uma pequena vila de um pouco mais de 15 mil habitantes, houve um furto em supermercado. O que está a acontecer? Como isso terá sido possível?

Queremos uma sociedade segura. Queremos um futuro melhor do que o presente que vivemos para nossos filhos. Então, desde já, cabe-nos questionar, a nós mesmos e ao nosso Governo:

Nossa polícia está preparada para lidar com isso, e assim cortar o mal pela raiz?

Fabiano de Abreu – jornalista, filósofo e personal branding


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