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Crónica: A Feira do Vinho e o vinho verde de Paiva

Crónica de Paulo Ramalheira Teixeira. O texto é de inteira responsabilidade dos respectivos autores.

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Faltam cerca de setenta e um e um dias para ter início o maior evento que se realiza no concelho de Castelo de Paiva, a XXII Feira do Vinho Verde.

Esta Feira tem já um cariz nacional, pela quantidade de visitantes de norte a sul do País e que leva além fronteiras do País o bom nome de Castelo de Paiva e o seu principal produto agrícola, o vinho verde.

O vinho foi, é e será o principal produto agrícola de Castelo de Paiva. Por isso é que este certame surgiu, para homenagear todos aqueles que ao longo de décadas e décadas dedicaram a sua vida à nossa agricultura. Foi uma promessa eleitoral que fiz aos agricultores e produtores paivenses nas Eleições Autárquicas de Dezembro de 1997. Muitos desses agricultores, com muitas dificuldades criaram filhos e alguns deles hoje dentro e fora do nosso concelho têm cargos de grande responsabilidade. A Agricultura e o vinho foi durante muitas décadas o único ganha pão de muitas famílias.

Gastronomia de Paiva

Recordo aqui que a Comunidade Europeia pretendia na altura eliminar 400 mil hectares de vinha no espaço europeu, onde a região dos vinhos verdes também irá estar abrangida. E assim em 1999, foi-nos proposto pelas autoridades nacionais e apoiado pela Comunidade Europeia um programa de reconversão de 245 hectares da nossa vinha. Não nos podemos esquecer que há sete anos tínhamos freguesias do nosso concelho que não produziam vinho verde, mas sim vinho americano, e hoje produzem vinho verde. O programa de reconversão de vinha em Castelo de Paiva criou postos de trabalho, fez atrair ao concelho famílias que por um motivo ou por outro saíram do concelho, e hoje temos algumas marcas de produtores individuais com excelentes vinhos. Facto que não acontecia antes do Plano estar concretizado.Mas é nestas alturas que se prova a solidariedade dos paivenses e a Câmara Municipal ao realizar este evento, sabendo que é dos mais procurados no concelho, ajuda o mundo agrícola e viti-vinicola a ter uma esperança num futuro melhor.

Os nossos vinhos verdes são um orgulho de todos nós. E mais satisfeitos ficamos quando ouvimos dizer que o nosso vinho tinto é dos melhores do mundo. Numa canção antiga os nossos antepassados diziam

‘’Ó Paiva terra de rara beleza

Ó Paiva capricho da natureza

Que a Vila de Paiva sinta orgulho em ser portuguesa”

Em 1998, prometemos e avançamos com este projecto, timidamente à volta da Câmara antiga. Poucos eram aqueles que acreditavam neste projecto, mas é com orgulho paivense que passados vinte e um anos olhamos para este projecto como sendo um projecto não só da Câmara mas também do Povo de Castelo de Paiva.

Douro 41

Uma palavra de apreço também à Cooperativa Agrícola Paivense e à Adega Cooperativa de Castelo de Paiva pelo apoio nomeadamente, que durante anos prestaram na comissão técnica da feira do vinho. Outro exemplo da boa colaboração que foi conseguida foi a parceria com a Associação Comercial de Castelo de Paiva. Exemplo disso é o merchandising produzido para promoção da Feira, e lembro aqui aquela cavaca gigante, com 80 kgs (doce regional tradicional) com dois metros e meio por dois metros e meio, 1000 ovos, 50 ks da farinha, 30 kgs açúcar, demorou dois dias a fazer, numa iniciativa do comércio e indústria local.

O programa de desenvolvimento do concelho que passa fundamentalmente pelo turismo, tem no ENOTURISMO e no turismo viti – vinícola um potencial extraordinário. Para quem não se lembra, no ano de 2006 foram mais de 5000 pessoas aquelas que chegaram até nós de barco através dos rios Douro e Arda. Nesse ano, o rafting no Rio Paiva trouxe mais de 10 mil turistas e praticantes a Castelo de Paiva.Ao monumento Anjo de Portugal, junto à Ponte Hintze Ribeiro, foram mais de 300 mil, os visitantes que por lá já passaram.

É certo que nos faltavam as unidades hoteleiras. Conseguimos que fosse construído um hotel top junto ao Rio Douro, na Raiva. Foi um investimento que ultrapassou os 12 milhões de euros, criou dezenas de postos de trabalho e tem 41 quartos na unidade principal e 26 apartamentos turísticos, estes últimos agora em fase de conclusão e cujas camas serão incorporadas na oferta do Hotel DOURO 41.

As unidades de alojamento local e casas de turismo em espaço rural também aumentaram. Teremos no futuro mais de uma centena de camas turísticas no concelho.

A Rota do Românico do Vale do Sousa passa também por Castelo de Paiva. Temos um monumento nacional incluído nesta Rota, o MARMOIRAL da Boavista e é uma mais valia para este concelho. Vêm aí os passadiços e os caminhos pedestres junto ao Rio Douro. Mais um factor de atractividade.

Sou acérrimo defensor que para ultrapassarmos algumas vicissitudes do mercado dos vinhos temos de dar as mãos e uma forma é por exemplo criarmos, como já o disse em 2006 e tenho vindo a dizer uma marca de vinho única, por exemplo CASTELO DE PAIVA. Nós vivemos numa aldeia global de biliões de seres humanos. Temos de ter dimensão e para isso temos que nos associar.

Hoje há vinhos de Castelo de Paiva a serem exportados para Singapura, Miami, Dubai, Holanda, Inglaterra, Espanha, França entre outros países.

Assim, o Turismo e o Vinho Verde são, pois, na minha opinião factores decisivos para o desenvolvimento do Concelho. Podem e vão ser factores geradores de postos de trabalho, o nosso principal problema de hoje. Por isso tenho esperança que aquilo que é hoje um dos nossos ex – libris, o vinho verde, vai continuar a dar-nos muitas alegrias.

Saibamos consolidar consolidar todos estes ingredientes e o turismo será um dos factores, senão o principal do desenvolvimento económico de Castelo de Paiva.

Paulo Ramalheira Teixeira 

Presidente da Direção da APAVECP

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