Ministra Ana Abrunhosa com responsáveis Municipais/Divulgação

A 18 de Dezembro de 2019 o concelho de Castelo de Paiva recebia pela primeira vez a visita da Dra. Ana Abrunhosa, Ministra da Coesão Territorial, um ministério criado nesta legislatura.

Recordo aqui que no ano em que foi convidada pelo actual Primeiro Ministro para exercer este cargo, o nome da actual Ministra e do ex-marido estiveram envolvidos em polémica, com acusações dos crimes de difamação e denuncia caluniosa do anterior presidente do Centro de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Pedro Saraiva, num processo em que  foram investigados pela Polícia Judiciária devido à pretensa utilização de emails falsos para acusarem um detentor de cargo público, mas acusados que foram pelo Ministério Público e a PJ ter identificado a origem dos emails e computadores e ID que foram usados para o efeito, acabaram absolvidos.

Pessoalmente, conheci a Dra. Ana Abrunhosa há alguns anos (2012) e quando a mesma já tinha ambições de ascender a Presidente da CCDR Centro, tendo esta na altura também grandes ligações ao PSD e ao Primeiro Ministro, de então, Dr. Pedro Passos Coelho.

Refira-se a prepósito que a actual Ministra participou várias vezes em iniciativas do PSD, como a Festa do Pontal e em 2013 foi candidata à Presidência da Assembleia Municipal do concelho da Meda, nas listas do PSD. Pena é que toda esta ligação ao PSD tenha sido apagada do seu curriculum na Wikipédia e até na própria página do Ministério que tutela. Nunca devemos renegar o nosso passado.

A semana passada a Senhora Ministra voltou a Castelo de Paiva, tal como prometera em 2019, agora para fazer a entrega de três chaves de moradias que ficaram destruídas no incêndio de 2017, há três anos atrás. Apesar de ainda faltarem concluir muitas mais e outras ainda não terem tido resolução, vamos acreditar que tudo estará resolvido em breve.

Questionada pelos jornalistas sobre a necessidade de haver uma comparticipação na totalidade dos salários das sete empresas que foram afectadas pelo incêndio no CACE – Centro de Apoio à Criação de Empresas, ocorrido no passado dia 13 de Julho, facto aliás reivindicado publicamente, pelo Presidente da Câmara de Castelo de Paiva, comparando com o que foi feito após os incêndios de 2017, a Senhora Ministra que é titular da pasta da Coesão Territorial, remeteu a resposta para a Ministra do Trabalho e da Segurança Social. Terá sido uma fuga para a frente ? Espero bem que não e que a coesão territorial seja uma prática e não apenas um chavão para se ter criado mais um lugar de nomeação política. Na continuação das respostas aos media, a Senhora Ministra lá foi dizendo que o que se passou em 2017 foi uma excepção.

Disse ainda que, “Para já estão a ser feitos os cálculos dos prejuízos, e perceber se há seguros, para serem trabalhadas as soluções para as empresas e garantir a manutenção dos postos de trabalho”.

A necessidade urgente de uma resposta rápida para a situação criada pelo incêndio no CACE, não se compadece com o tempo que as acções atras descritas poderão ter. É sempre bom lembrar que o dono do edifício que ardeu é o Estado, a administração central, gerido que era pelo IEFP.

E aqui sou obrigado a recordar, um outro incêndio numa unidade industrial, ocorrido em Junho de 2020, há um mês no Norte do país, e que a Senhora Ministra quase no dia seguinte ao incndio nessa unidade, afirmou que “as dificuldades por que passa a empresa, vão ser atenuadas com a agilização da entrega de verbas referentes a três projectos a fundos comunitários”, e este compromisso foi assumido ante mesmo dos peritos concluírem as causas do incêndio e os prejuízos ocorridos.  Por outro lado, a 15 de Julho esta mesma Ministra da Coesão Territorial lançou um apoio directo de 90 milhões de euros para incentivar micro, pequenas e média empresas a criarem novos empregos , em três anos. Pelos vistos a Senhora Ministra aqui é competente, e falamos de emprego/trabalho e já não foi a Ministra do Trabalho a lançar o programa. Parece haver dois pesos e duas medidas por parte desta Ministra.

Questionada sobre as acessibilidades a Castelo de Paiva, a Senhora Ministra que anda a promover a coesão territorial teve o bom senso de nada dizer aos jornalistas, pois sobre essa matéria nada haverá para dizer, esperando eu estar enganado, ou será que vamos ser enganados de novo ?

Espero que não seja necessária uma nova tragédia em Castelo de Paiva para que o Governo, qualquer que ele seja, conclua a ligação da Variante à EN 222, das Lavagueiras até Canedo (A32), e do IC 35 (ligação de Entre os Rios até Rans-A4).

Vamos aguardar sentados, e nunca perdendo a esperança que um dia nos deixemos do show off e se faça a coesão territorial que este território tanto merece.

N.P. Já agora, uma sugestão ao Senhor Presidente da Câmara da próxima vez, que tiver um Governante em Castelo de Paiva procure fazer um brinde com vinho verde de Castelo de Paiva e não com espumante de Lamego, como o fez a semana passada com a Ministra Ana Abrunhosa.

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