Logo paivense
Logo paivense

Declarações após o jogo FC Porto-Sporting (1-0), da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal de futebol, disputado hoje no Estádio do Dragão, no Porto:

Sérgio Conceição, treinador do FC Porto: “Eu acho que sai mais satisfeito o Sporting, pelo que foi o jogo, sem dúvida nenhuma, dentro daquilo que foi a nossa dinâmica, e por aquilo que conseguimos criar perante um Sporting a quebrar o ritmo de jogo que temos, a grande vontade de sermos intensos constantemente do jogo. Nisso dou os parabéns ao Sporting, por tentar quebrar esse ritmo que para nós é tão importante.

Penso que não surpreendeu em nada a forma como o Sporting veio atuar [com três centrais].

Tentaram condicionar o jogo exterior do FC Porto, com o Gelson junto do Doumbia a aproveitar a sua equipa no meio campo defensivo no que poderiam ser as saídas rápidas. Não fomos surpreendidos e a prova disso são as três oportunidades claras na primeira parte que criámos, metemos os alas muito por dentro.

Fomos em busca do 2-0, foi a pensar nisso que fiz as substituições que fiz. Tivemos muitas situações no último terço, se isso contarem como ocasiões, demos uma goleada, não me lembro de situações de golo do Sporting. Houve algumas situações no final que podiam ser perigosas, mas não tiveram conclusão.

Se definíssemos melhor, se calhar acabávamos com outro resultado. Foi um bom jogo, mais agradável que o último, onde o FC Porto foi superior. Muito superior seria se tivéssemos concretizado mais uma ou outra situação, e essa eficácia é necessária.

O FC Porto tem de sair satisfeito, o resultado é curto para o que se passou no campo, mas estamos a meio. Sai mais satisfeito o Sporting, com certeza.

O Soares é que ganhou a minha confiança e a dos colegas. Depois daquele episódio [de indisciplina], o Tiquinho refletiu e soube que errou. Enquanto jogador, tive comportamentos que hoje não teria, momentos maus acontecem. Importante é que não se repita. Os jogadores sabem disso, o Tiquinho sabe disso.

Era muito difícil usar hoje o Aboubakar, e no jogo de hoje, com estas características, o Tiquinho tinha de jogar, e teve a felicidade de fazer o golo, que é um trabalho de toda a equipa. Os jogadores têm feito um trabalho fabuloso.

Sem demagogia e com toda a simplicidade e humildade, foi bom para nós, mas estamos a meio de 180 minutos, disputámos 90, temos outros 90 para disputar daqui a umas semanas. Dá-nos algum conforto, claro que sim, depois da meia-final da Taça da Liga e da forma injusta como não fomos à final.

Falei das faltas no final do jogo com o Sporting de Braga, onde não era para cometermos 25 faltas. Fui eu que puxei o tema, porque achei que surgiram muitas faltas ofensivas. O duelo, aquilo que é a capacidade de disputar a primeira e a segunda bola, é uma das características das equipas fortes, que têm impacto importante de forma física no jogo.

O peixe morre pela boca, e hoje o Sporting faz 27 faltas. Nós fizemos 17. Ouvi na antevisão do jogo, do treinador do Sporting, e hoje viu-se o que se passou. Mas o futebol é feito disto, é um jogo de contacto e duelos, é normal as equipas quererem ganhar os duelos e meterem essa agressividade no jogo, é normal que tenham mais faltas que as outras equipas. As minhas equipas sempre tiveram este tipo de atitude no jogo, é essencial.

Hoje viu-se que o Sporting faz quase 30 faltas no jogo, e se nos lembrarmos dos amarelos que o Sporting teve, e ainda ficaram alguns por mostrar, vem desse tal poder ofensivo que tivemos no jogo.

[Sobre a existência de uma falta de Sérgio Oliveira no lance do golo] A única falta que cometeu ao Sporting foi ter cruzado tão bem [para o golo de Soares].

Não abdico dos princípios da minha equipa e foi demonstrado quando jogámos com o Sporting. O FC Porto é uma equipa que não pode abdicar dos seus princípios de ir à procura do resultado. Em Alvalade vai ser exatamente igual.”

Jorge Jesus, treinador do Sporting: “Estamos na primeira parte desta eliminatória, ainda há outro jogo em Alvalade. Vamos para Alvalade com confiança e esperança que vai ser uma meia-final em que temos todas as possibilidades de estar no Jamor.

Dos três jogos com o FC Porto, foi o melhor jogo das duas equipas. Foi um grande jogo. Acho que este jogo devia ter mais golos. O Sporting, principalmente na segunda parte, foi mais forte do que o FC Porto, e teve várias oportunidades de golo nítidas, duas do Doumbia, uma do Gelson. O Porto faz o golo numa jogada precedida de falta sobre o Bruno Fernandes, mas foi um excelente cruzamento e grande golo do Soares, e depois mais uma defesa do Soares, que foi o que o Porto teve na segunda parte.

Foram duas equipas que mereciam pelo que fizeram ter feito mais golos. Por mim era 2-2 ou 3-3, o Sporting não merecia sair derrotado deste jogo, mas o futebol é exatamente o que se marca.

O Sporting teve várias chances para fazer golo e não fez, o Porto também teve. Uma equipa segura em termos defensivos, o Sporting, e uma equipa que na primeira meia hora teve uma circulação de jogo que, na minha opinião, o Porto não conseguiu entrar nas zonas de pressão que gosta.

Dentro deste registo, o facto de me dizer que jogámos como três centrais… o Piccini não sei se é central ou lateral, se calhar é central. Jogámos com um posicionamento diferente do Piccini – não quer dizer que seja com três centrais – como fizemos com o Gelson e outros jogadores, que deu uma forma de sair diferente à equipa, e também a defender.

O Sporting esteve bem defensivamente, esteve bem ofensivamente, teve oportunidades para fazer golo.

[Sobre as ausências de Bas Dost e Gelson] Quando falo do peso de 50% do Dost e Gelson, refiro-me ao jogo ofensivo, não à equipa. São coisas diferentes. Porquê? Porque são os dois jogadores com mais golos, tanto o Bas Dost como o Gelson, com mais assistências, o Gelson, e são dois jogadores com mais influência no jogo ofensivo do Sporting, não na equipa. São dois jogadores influentes pelos números, pelos factos.

[Bas Dost] influencia porque ele é o goleador. Perdemos o nosso melhor goleador, isso tem influência. [Para solucionar] tenho de arranjar uma ponta de lança a fazer tantos golos como o Bas Dost, mas não está fácil. Neste momento, estamos a tentar lançar o Doumbia no jogo, aos poucos o Montero, porque são os dois jogadores que são pontas de lança e que normalmente são os que vão fazendo alguns golos. Com a saída do Bas Dost, não temos tido aquele ponta de lança que faça um golinho hoje, um golinho amanhã.

[Sobre a quantidade de jogos no calendário] Não treinamos. Jogámos no Estoril, treinámos em Lousada, ou melhor, recuperámos, não preparámos o jogo. Hoje é quarta-feira, domingo já temos jogo.

Isto vai deixando sequelas nalguns jogadores em termos físicos. O William foi um dos jogadores que depois do Estoril teve um problema físico, nada de especial, mas que deu para hoje não ser convocado.

Estar nas frentes todas tem de se pagar. Paga-se pelo sucesso. Queremos estar nelas e agora com mais esta questão, da expulsão do Acuña, estão a ficar muitos de fora. Isso tira rendimento à equipa, sem dúvida.