O Benfica SGPS pediu ao supervisor da bolsa autorização para revogar a oferta pública de aquisição (OPA) que lançou em novembro sobre a Benfica SAD, devido aos efeitos da pandemia da Covid-19.

“A revogação da Oferta já vinha sendo discutida com a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários [CMVM] desde que se tornou do conhecimento público, no dia 12 de março de 2020, a suspensão do campeonato nacional de futebol — Liga NOS”, lê-se no comunicado disponível na CMVM.

Os encarnados adiantam ainda que desistem da operação — com que pretendiam aumentar a participação acionista da SGPS na SAD — “tendo por conta a alteração das circunstâncias determinadas pela pandemia associada ao novo coronavírus, Covid-19, e os impactos da mesma, diretos e indiretos”.

Ainda assim, o Benfica quer pronunciar-se em “sede de audiência prévia” sobre o “projeto de indeferimento do pedido de registo de Oferta que lhe foi ontem [segunda-feira] comunicado pela CMVM, uma vez que reitera a plena conformidade da oferta com todas as disposições legais aplicáveis”.

As condições de financiamento da OPA parcial lançada pelo Benfica sobre a sua SAD foram chumbadas pelo supervisor do mercado português, mas as águias discordam da decisão e pretendem fazer valer os seus argumentos, ainda que não pretendam avançar com a operação.

O Benfica disse também que, na segunda-feira, dia em que a CMVM suspendeu a negociação das ações das águias, recebeu do supervisor do mercado português “um pedido de prestação de informação ao mercado após terem surgido rumores na comunicação social sobre o desfecho do procedimento de registo da oferta e acerca da eventual utilização alternativa dos fundos mobilizados para efeitos da sua liquidação para contratar reforços para a equipa de futebol”.

Segundo o Benfica, tal como tinha sido comunicado, a Benfica SAD alienou à Benfica SGPS as ações representativas do capital social da Benfica Estádio, com efeitos a 1 de julho, e “após vários meses de negociações, a Benfica SAD celebrou com a Benfica Estádio, no dia 10 de outubro de 2019, um contrato de cessão de exploração do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, no qual revogou o anterior contrato de utilização do Estádio do Sport Lisboa e Benfica, celebrado em 2003”.

O Benfica salientou que “a celebração deste acordo permitiu, designadamente, a adaptação da estrutura contratual à atual relação entre a Benfica SAD e a Benfica Estádio (sociedades indiretamente participadas pelo Sport Lisboa e Benfica e sem relação entre si) e a atualização dos montantes a pagar, cujo valor mínimo anual não sofria alterações desde há cerca de 15 anos”.

O novo contrato vigora até 30 de junho de 2041 e prevê um pagamento anual de 4,5 milhões de euros, acrescido de um valor variável a apurar no final de cada exercício da SAD vermelha e branca.

No total, o montante do contrato ascende a 94,5 milhões de euros, mas as partes acordaram que haveria um pagamento antecipado, de 62 milhões de euros, a que corresponde um desconto global de 32,5 milhões de euros, correspondentes a 34,5% do total do negócio.

Relativamente aos 62 milhões de euros, Benfica SAD e Benfica Estádio estipularam que quase 33 milhões de euros do montante fosse “objeto de compensação da dívida existente da Benfica Estádio perante a Benfica SAD, não dando assim lugar a um fluxo financeiro”, e que o remanescente, 29 milhões de euros, fosse pago pela Benfica SAD à Benfica Estádio.

“Naturalmente, em 10 de outubro de 2019, desconhecia-se por completo as circunstâncias que, no atual contexto, condicionam a utilização do Estádio do Sport Lisboa e Benfica – saliente-se, em geral dos estádios de futebol na Europa. Não era sequer previsível naquela data antecipar que o campeonato nacional de futebol – Liga NOS seria suspenso e que o Euro 2020 seria adiado”, vincou a SAD das ‘águias’.

Por isso, a Benfica SAD afirmou que “está a avaliar os impactos que a pandemia decorrente do novo coronavírus tem na sua atividade, face à grande incerteza e imprevisibilidade da situação”.

No documento, a SAD confirmou ainda que “quaisquer fundos que se encontrem na titularidade” do Benfica SGPS não lhe pertencem, pelo que, naturalmente, não poderá a Benfica SAD utilizar tais fundos, ao contrário do que foi incorretamente mencionado por alguns meios de comunicação social.

A Benfica SAD finalizou esta comunicação ao mercado a garantir que, face ao atual contexto, tomou e vai continuar a tomar as medidas “necessárias para preservar a sua atividade”, sublinhando que é “previsível a redução de custos e despesas não indispensáveis ao desenvolvimento dessa atividade e a ponderação acrescidamente cuidada de todos os investimentos que estavam projetados”.

E rematou: “Assim sendo, as transações de atletas serão analisadas muito cuidadosamente, tendo em vista promover e preservar na maior medida possível os ativos essenciais da Benfica SAD e assegurar a sua sustentabilidade, atendendo aos interesses de longo prazo dos seus acionistas e ponderando os interesses dos seus trabalhadores e demais stakeholders”.

Fonte: ZAP

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