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Dormir bem antes de tomar a vacina da gripe pode ajudar a aumentar a sua eficácia

Segundo os especialistas, uma boa noite de sono pode mesmo ajudar a aumentar a eficácia da vacina da gripe, que neste ano ganha particular relevância em plena pandemia de covid-19.

De acordo com Matthew Walker, autor do livro Porque Dormimos?, ter uma boa “higiene do sono” é importante para que a vacina contra a gripe seja eficaz.

Em declarações à CNN, o especialista em sono da Universidade de Berkeley, na Califórnia,​​​​​​ explica que dormir mal nas semanas anteriores à toma da vacina pode reduzir em 50% a produção de uma normal resposta de anticorpos, o que tornaria a vacina ineficaz.

O especialista na relação entre sono e saúde humana cita estudos realizados sobre esta temática que suportam a conclusão de que dormir bem nas noites anteriores à toma da vacina da gripe é fundamental para a sua eficácia. Um desses estudos foi publicado em março no International Journal of Behavioral Medicine.

Neste sentido, o Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed está a levar a cabo estudos que investigam a relação entre o sono e a imunidade, o que pode representar um grande avanço em relação ao conhecimento da resistência humana ao SARS-CoV-2, defende Walker.

“É preciso estudar mais sobre a relação entre o sono e o sucesso da vacinação, porque se existir poderá representar uma mudança no combate à pandemia“, afirmou o especialista.

Walker refere que “indivíduos que dormem menos de 7 horas por dia têm três vezes mais probabilidade de serem infetados” pelo vírus da gripe. “Sabemos que os que dormem 5 horas ou menos por noite têm 70% mais probabilidade de contrair pneumonia”, acrescentou.

A falta de sono está relacionada com o défice de concentração, com a irritabilidade, com as alterações de humor e as perdas de memória. Há ainda hormonas dependentes do sono como a insulina, a tiroide, a leptina e a grelina.

Em declarações ao DN, a neurologista Teresa Paiva, afirmou que a pandemia “melhorou o sono de uns e piorou o de outros”. A especialista liderou o estudo “Covid, Sono, Saúde e Hábitos” que envolveu nove mil pessoas – a maioria profissionais da área da saúde e também doentes do sono, professores, bombeiros, que decorreu entre abril e setembro – os meses de confinamento e de estado de emergência.

“Muita gente melhorou porque começou a ter menos stress. E esses são os que faziam muitas horas de trabalho, iam levar e buscar os filhos à escola, andavam nas filas de trânsito. Essas pessoas deixaram de repente de ter esse stress no seu quotidiano e melhoraram muito”

Contudo, explica que “o sono piorou em média 10%. Nas respostas iniciais há 40% que dizem que estavam fartos do confinamento, 15% que fizeram descobertas importantes e 30% dizem que se sentiram bem no confinamento.”

Teresa Paiva considera que se o estudo fosse feito agora, possivelmente os resultados seriam piores por causa da perceção de que a pandemia vai durar mais tempo do que muitas pessoas esperavam e por causa da instabilidade económica.