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Economistas podem ser a chave para resolver crise de resistência aos antibióticos

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Cientistas podem não ser os únicos capazes de resolver a crise de resistência aos antibióticos. Economistas podem ser fundamentais para impulsionar uma maior investigação a este problema.

Impulsionadas pelo uso generalizados de antibióticos, as infeções bacterianas estão a tornar-se cada vez mais resistentes ao tratamento. Relatórios recentes estimam que, sem ação, até 2050 a resistência aos antibióticos poderá causar até 10 milhões de mortes por ano e uma redução do PIB entre 2 e 3,5%.

Estes avisos são semelhantes aos das mudanças climáticas. Um aumento de 2ºC na temperatura média da superfície da terra poderá reduzir o PIB em 3%.

No entanto, a diferença com as mudanças climáticas é que as análises económicas ajudaram nas recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas e nas decisões tomadas pela comunidade internacional no Acordo de Paris.

Na opinião dos investigadores, este tipo de análises também deveria ser recorrente no debate sobre a resistência aos antibióticos.

Paralelismo

O uso de antibióticos e combustíveis fósseis impõe custos futuros, por exemplo, de infeções potencialmente fatais e condições meteorológicas extremas. As pessoas podem sentir pouco incentivo para reduzir o uso de antibióticos ou combustíveis fósseis, porque as consequências negativas do seu uso apenas podem acontecer no futuro.

Além disso, essas consequências podem ser inevitáveis, a menos que mais pessoas também reduzam o seu uso.

No recente estudo, publicado na revista Science, os investigadores argumentam que, assim como as mudanças climáticas, a precaução requer a definição de metas ambiciosas, mas também pragmáticas, para reduzir o uso de antibióticos o mais apressadamente possível.

Tal como acontece com as alterações climáticas, a ciência por si só não pode resolver a crise de resistência aos antibióticos. Em particular, o desenvolvimento de novos antibióticos não é apenas um problema científico. Sem os incentivos corretos, as empresas farmacêuticas não tentarão desenvolver os novos medicamentos necessários.

Soluções económicas

Uma variada gama de medidas económicas podem ajudar a combater o uso desnecessário de antibióticos enquanto estimula o desenvolvimento de novos antibióticos.

O desenvolvimento de novos antibióticos raramente é lucrativo. Face a isto, a maioria das grandes empresas farmacêuticas desiste da ideia. São necessárias bolsas de investigação e créditos fiscais para ajudar a reduzir os custos de investigação e desenvolvimento de medicamentos.

Desenvolver novos antibióticos tem de ser lucrativo, caso contrário, não há incentivo para as empresas farmacêuticas os criarem. Uma das soluções pode ser a introdução de um esquema de permissão para aquisição de antibióticos recém-desenvolvidos, onde as organizações de saúdam pagam uma taxa de licenciamento pelo direito de usar um certo número de doses anualmente.

Outra solução seria pagar às empresas farmacêuticas um prémio de seguro para fornecer acesso a antibióticos quando forem necessários. Os prémios poderiam ser renegociados em intervalos regulares.

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