Início Economia Além de programas e subscritores, Netflix está a perder (sobretudo) confiança

Além de programas e subscritores, Netflix está a perder (sobretudo) confiança

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A Netflix apresentou, neste segundo semestre do ano, um crescimento global aquém das expectativas e, pela primeira vez, assistiu a uma perda de subscritores naquele que é o seu principal mercado. Estes resultados não agradaram aos acionistas e a plataforma de streaming viu o seu valor em bolsa cair 12% esta quarta-feira.

A Netflix divulgou esta semana os seus resultados e o cenário foi desastroso. A empresa assistiu à sua primeira grande perda de assinantes nos Estados Unidos no último trimestre. Além disso, só ganhou 2,7 milhões assinantes a nível global, o que equivale a quase metade do que era previsto.

Os resultados do segundo trimestre do ano apontam para uma perda de 126 mil subscritores da plataforma nos Estados Unidos, número que representa não só a primeira perda desde o seu lançamento em 2011, mas também uma evolução em contra-ciclo com as previsões da empresa, que esperava conquistar mais 352 mil assinantes no mercado norte-americano.

Esta é uma desaceleração tremenda da gigante de streaming, que equivale a uma queda  de 12% nas suas ações, e cria novas dúvidas sobre durante quanto tempo poderá a empresa justificar a sua despesa com o conteúdo.

Com estes resultados, o número total de subscritores da Netflix está agora nos 151.5 milhões de utilizadores, mais 22% em comparação com o trimestre homólogo em 2018.

Numa carta endereçada aos acionistas da plataforma, o CEO Reed Hastings reconhece o crescimento aquém do esperado e justifica os resultados do segundo trimestre com o aumento dos preços, especialmente nos Estados Unidos, e com um trimestre sem estreias de peso.

“Os conteúdos do segundo trimestre geraram menos crescimento na base de subscritores do que tínhamos antecipado”, adiantou o responsável citado pelo The Verge, mantendo a confiança de que este cenário irá mudar na segunda metade do ano – mesmo tendo em conta que, em novembro, chegará ao mercado a plataforma Disney+.

A empresa está também a enfrentar vários problemas que podem afetar o seu crescimento nos próximos anos. A Netflix está a perder várias séries licenciadas, como Friends e The Office, para os concorrentes WarnerMedia e NBC Universal, respetivamente.

Ainda assim, a plataforma estima um panorama mais risonho para o terceiro trimestre do ano, com várias estreias agendadas a darem um empurrão: as terceiras temporadas de Stranger Things (que estreou a 4 de julho) ou La Casa de Papel (com estreia marcada para esta sexta-feira).

O crescimento esperado ronda os 7 milhões de novos subscritores a nível mundial, número acima dos 6,1 milhões de novos assinantes conquistados no trimestre homólogo.

Ao nível das receitas, como dá conta o Meios e Publicidade, a plataforma de streaming registou um crescimento de 26% para os 4,9 mil milhões de dólares neste segundo trimestre.

Na mesma carta enviada aos acionistas, Hastings rejeita os rumores de que a Netflix pretende, em breve, alavancar as receitas com a introdução de publicidade. “Tal como a HBO, somos uma plataforma livre de publicidade” e “isso permanece um elemento profundo da nossa proposta de marca”. “Quando virem especulação de que vamos avançar para a comercialização de publicidade, estejam confiantes de que isso é falso.”

Apostas dentro e fora de Holllywood

A Netflix está a investir muito dinheiro em programas e filmes norte-americanos, assinando contratos de milhões de dólares com showrunners de alto perfil, como Shonda Rhimes ou Ryan Murphy. Aliás, Murder Mystery, de Adam Sandler, foi visto por mais de 73 milhões de contas domésticas em todo o mundo – mais do que toda a base norte-americana da plataforma.

Os responsáveis não avançam números quanto ao orçamento alocado para os gastos dos Estados Unidos, mas é certo que a empresa está a fazer grandes apostas em projetos de Hollywood.

Bright, que conta com Will Smith, custou aos bolsos da Netflix cerca de 100 milhões de dólares para ser produzido. Já o próximo filme de Martin Scorsese, The Irishman, custou aproximadamente 140 milhões. Torna-se óbvio que a Netflix não está a desistir dos Estados Unidos, mas a apostar numa combinação global.

De acordo com o The Verge, os executivos estão dispostos a gastar uma quantia exuberante de dinheiro para garantir recursos, séries de sucesso e criadores de conteúdo nos Estados Unidos como forma de se manter à frente da grande concorrência. Tudo isto contribui para um foco maior em conteúdo internacional, mesmo para utilizadores norte-americanos.

É por este motivo que assinantes dos Estados Unidos começarão a ver programas dinamarqueses ou espanhóis a serem promovidos na primeira página – ou até animes japoneses e originais indianos.

O investimento que a Netflix coloca em cada país será mais difícil de ser amenizado à medida que esta dinâmica se vai repetindo em loop. A empresa está a lutar afincadamente para manter a sua atenção e o seu espaço no mercado. Contudo, fica claro que, com os seus ganhos, a luta está a tornar-se cada vez mais difícil.

LM, ZAP //

Fonte: ZAP

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