A maneira como o leite derramado se espalha pelo chão pode explicar por que motivo as crises económicas ocorrem regularmente.

As recessões económicas seguem as leis da física, de acordo com um novo artigo científico publicado no International Journal of Energy Research. Segundo Adrian Bejan, professor de engenharia mecânica da Universidade de Duke, existem mecanismos universais que dão origem a leis que governam o crescimento da economia, e a resposta para sustentar esse crescimento está na inovação.

A conclusão do cientista combina as conclusões de dois artigos anteriores, que detalham a prevalência de curvas S e o vínculo direto entre a economia e o consumo de combustível.

Em 2011, Bejan previu que o crescimento de inúmeros fenómenos de expansão ao longo do tempo segue o formato de uma “curva S” – também conhecida como função sigmoide – e que este fenómeno é resultado da lei construtiva, que o cientista postulou em 1996.

De acordo com esta lei, um copo de leite derramado terá uma projeção inicial muito pequena, que será seguida de uma rápida expansão e, por último, uma fase final de fluência lenta. Esta sequência de lento-rápido-lento repete-se em reações químicas, no crescimento populacional, na adoção de novas tecnologias e, até, na disseminação de novas ideias.

Agora, o investigador decidiu unir a economia e a física, mostrando que a física é a responsável pela proporcionalidade entre o Produto Interno Bruto (PIB) de um país e pelo seu consumo anual de combustível. “A quantidade de combustível consumida por uma nação está diretamente relacionada com o seu crescimento económico. A física e a economia são dois lados da mesma moeda“, explicou, citado pelo Futurity.

No seu novo trabalho, Bejan e a sua equipa estendem estas contribuições anteriores às funções de poder, dinheiro, economia, tempo e bolhas económicas que ocorrem nos mercados. A equipa concluiu que o desenvolvimento económico como um todo é uma reação em cadeia muito semelhante à que ocorre nos processos químicos e físicos.

A física deste fenómeno económico é explicada pela rápida expansão inicial que surge associada ao investimento depositado num determinado projeto. Este impulso inicial gera prosperidade, mas, à medida que a utilidade da ideia ou do produto derivado do investimento diminui, ocorre um movimento inverso que, em escala, pode causar a recessão da economia como um todo.

No fundo, Bejan mostra que a curva S da produtividade económica entra em conflito com a curva linear do investimento.

Um mercado livre é capaz de gerar novas curvas S. Por isso, desde que as pessoas sejam inovadoras e criativas e tragam novas e grandes curvas S, a tendência geral de crescimento económico pode continuar”, conclui o investigador.

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