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Viseiras de Leiria despertam cobiça. Bélgica e EUA queriam comprar toda a produção

António Cotrim / Lusa

Várias empresas de moldes e plásticos da região de Leiria estão a fabricar viseiras de protecção contra a Covid-19. Uma adaptação em tempos de pandemia que está a levantar atenção no estrangeiro, com EUA e Bélgica a manifestarem interesse em comprar toda a produção de algumas empresas. 

A iniciativa de adaptar a produção de diversas empresas da região de Leiria para o fabrico de viseiras de protecção, tão necessárias para diversos profissionais imprescindíveis na luta contra a Covid-19, partiu de uma iniciativa conjunta que contou com a participação do Instituto Politécnico de Leiria e da Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI), além de associações dos sectores dos moldes e da indústria dos plásticos, bem como do Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE).

A parceria alargada permitiu a entrega, nesta segunda-feira, de 4 mil viseiras de protecção, a título de donativo, a bombeiros, GNR, INEM, Cruz Vermelha, Agrupamentos de Centros de Saúde e outras entidades locais de Leiria ligadas às áreas da segurança e da saúde. No final de Março, já tinham sido doadas 3300 viseiras que foram fabricadas por cerca de 10 empresas da região.

A operação coordenada pelo Politécnico de Leiria, no âmbito do projecto “Por Portugal, todos unidos na região de Leiria”, já suscitou o interesse de outros países que manifestaram vontade em adquirir viseiras.

O Jornal de Notícias (JN) apurou que algumas das empresas envolvidas no projecto “receberam contactos da Bélgica e dos EUA a manifestar interesse em comprar toda a produção para se protegerem da pandemia”.

Mas o foco do projecto, nesta fase, é ajudar os profissionais locais que precisem de equipamentos de protecção e que se encontram na “linha da frente do combate à Covid-19”. Depois admite-se que a produção de viseiras pode ser alargada a outras zonas do país e até a nível internacional, como refere o presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, ao JN.

Para o presidente da NERLEI, António Poças, a situação é claramente uma oportunidade de negócio para as empresas da região meterem o pé no sector da saúde, em especial as que estão “demasiado dependentes do sector automóvel”.

Entretanto, a Iberomoldes já vendeu viseiras a Bélgica e Holanda e vai comercializá-las também para o México, mas, para já, numa produção em pequena escala. O CEO da Iberomoldes repara ao JN que “produzir dispositivos médicos é um objectivo estratégico da empresa”, logo esta situação pode acabar por ser uma oportunidade de negócio.

Para ajudar as empresas que queiram reconverter as suas produções, a NERLEI abriu um gabinete de crise e uma conta solidária que já permitiu recolher, em apenas uma semana, “dezenas de milhares de euros”, como refere António Poças ao JN.

Fonte: ZAP

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