António Pedro Santos / Lusa

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho

O número de desempregados que se inscreveram nos centros de emprego do IEFP tem aumentado quase todos os dias desde o início da crise, embora esteja a subir menos. Os números atualizados contrariam as declarações da ministra do Trabalho, em entrevista à Antena 1.

Em entrevista à Antena 1, Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, disse que “há um reflexo da retoma da atividade” porque, em abril, a subida no desemprego registado foi de 48 mil casos e, em maio, o número de registos ficou nos 16 mil.

Porém, de acordo com o Diário de Notícias, a ministra tem dados oficiais muito mais atualizados que mostram um quadro diferente, mas não os usou.

O Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP) do Ministério do Trabalho revelou que, entre o final de maio e o dia 22 de junho, acorreram ao IEFP 15 mil desempregados, quase tanto quanto o acréscimo de 16 mil registados no mês de maio.

Ana Mendes Godinho também referiu que, desde o final de fevereiro, há mais 93 mil desempregados, mas estava a referir-se à realidade do mês passado. A ministra disse não temer que o desemprego dispare.

Segundo o GEP, só em Portugal Continental, o contigente de desempregados registados nos centros de emprego aumentou em 106,2 mil casos.

Segundo o DN, há indicadores avançados que mostram que o ritmo de agravamento do desemprego pode piorar: o número de pessoas abrangidas por despedimentos coletivos – que podem ficar sem trabalho num futuro próximo – estava a aumentar a um ritmo superior a 60% em meados de julho face a meados do mês anterior.

Entre 1 de fevereiro e 22 de junho, cerca de 3.500 trabalhadores foram visados em processos de despedimento coletivo, quase tanto como no ano de 2019. Desde o início deste mês e até à passada segunda-feira, foram visados pelo despedimento 800 empregados, mais 61% do que em igual período de maio.

A ministra adiantou que há menos empresas a recorrer ao lay-off simplificado. “Há menos 21 mil empresas a recorrer ao lay-off” porque, disse, desde o início desta crise pandémica recorreram “cerca de 110 mil empresas, mas só 89 mil pediram a renovação”. Porém, segundo o GEP, 113,8 mil empresas entregaram os papéis do pedido de entrada no regime.

Fonte: ZAP

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