Mário Cruz / Lusa

Terminou o tabu sobre a futuro da TAP. Em conferência de imprensa ao fim da noite desta sexta-feira, depois de terminadas as negociações, o ministro das Infraestruturas e da Habitação anunciou aquele que será o futuro da TAP.

O Estado português terá mais controlo sobre a companhia aérea e vai procurar gestores no mercado internacional, mas Pedro Nuno Santos alerta que vem aí uma reestruturação difícil, não se comprometendo com “inevitabilidade” de despedimentos na TAP.

O governante anunciou  que o Governo vai contratar uma empresa para procurar no mercado internacional uma equipa de gestão qualificada para a TAP.

Falando na conferência de imprensa em que foi anunciado que o Governo chegou a acordo com os acionistas privados da TAP passando a deter 72,5% da companhia área, Pedro Nuno Santos precisou que “o Estado não vai gerir a TAP”, adiantando que a solução passa por recrutar uma equipa de gestão especializada e qualificada nesta área.

“Faremos um processo de seleção contratando uma empresa que tem no quadro da sua atividade procurar no mercado internacional uma equipa qualificada para gerir a TAP”, precisou o ministro. “A TAP precisa de uma gestão qualificada e a TAP terá uma gestão qualificada”, garantiu Pedro Nuno Santos.

Quanto ao CEO da TAP, Antonoaldo Neves, Pedro Nuno Santos disse que terá de sair de imediato, uma vez que entrou na TAP pela mão do norte-americano David Neeleman, que já não faz parte da estrutura acionista, e não foi uma escolha do acionista Estado.

“Há a saída de um dos principais acionistas, era difícil explicar que o CEO [presidente executivo] continuasse”, disse, referindo-se a David Neeleman, cuja participação acabou por ser comprada pelo Estado português.

O CEO deverá assim fazer parte da equipa internacional que o Estado vai procurar. Pedro Nuno Santos admite que este processo pode demorar, tal como escreve o Expresso.

Depois deste acordo, recorde-se, o Estado passa a deter 72,5% da companhia aérea, o empresário Humberto Pedrosa 22,5% e os trabalhadores os restantes 5%.

Avizinha-se uma reestruturação difícil

Na mesma conferência de imprensa, onde se fez acompanhar pelo ministro das Finanças, João Leão, e do secretário de Estado do Tesouro, Miguel Cruz, Pedro Nuno Santos disse que futuro ainda é “cheio de incertezas”, frisando que a reestruturação será “difícil” quer para a empresa, quer para os portugueses, quer para os políticos.

A fase após a negociação, que já foi complicada, será ainda mais difícil.

“O futuro é incerto (…) Não queremos uma empresa sobredimensionada, porque estaríamos a desperdiçar recursos, mas queremos uma TAP que responda aos interesses dos portugueses”, defendeu. “Vai ser fácil? Não vai ser. Politicamente vai ser difícil? Vai. Os ministros e secretários de Estado assumem responsabilidades para quê?”.

Sobre a eventual nacionalização da TAP, que chegou a ser dada como certa na imprensa, o governante disse que o acordo com os privados é uma solução melhor. “Não teremos bodes expiatórios, é verdade (…) A alternativa era a insolvência”.

Uma vez mais, e na linha do que tinha defendido nos dias anteriores ao anúncio oficial, Pedro Nuno Santos reiterou: “A TAP é demasiado importante para deixarmos cair“.

Disse ainda ser “natural” que os portugueses se questionem sobre o valor da ajuda à TAP – de até 1,2 mil milhões de euros -, mas salientou ser “importante” conhecer a dimensão da empresa na economia para se perceber a importância desta intervenção.

Neste contexto lembrou que no ano passado a TAP exportou 2,6 mil milhões de euros, tem mais de 10 mil trabalhadores e que é a empresa que mais turistas traz para Portugal.

Ministro não assume “inevitabilidade” de despedimentos

O ministro das Infraestruturas e da Habitação recusou ainda assumir um cenário de despedimentos na TAP no âmbito do processo de reestruturação da companhia aérea.

Inevitabilidades não as assumo. Não faz sentido estar a assumir cenários que decorrerão de um plano de reestruturação”, precisou quando questionado sobre a possibilidade de a reestruturação implicar redução do número de trabalhadores.

O ministro afirmou que “há várias soluções”, pelo que “não precisamos nesta fase de assumir inevitabilidades que decorrerão de uma negociação” que vai ainda ser feita.

Admitindo que o processo “é exigente e difícil”, Pedro Nuno Santos repetiu várias vezes que não iria “assumir já inevitabilidades”, uma vez que as opções são várias.

Por sua vez, João Leão frisou que o reforço da posição acionista do Estado na TAP não vai pesar nas contas públicas, assinalando que o impacto do empréstimo de 946 milhões de euros já foi assumido no Orçamento Suplementar.

Começando por referir que há muitas “empresas públicas que não estão no perímetro das contas públicas”, por terem uma natureza essencialmente mercantil, como os portos ou a Carris, João Leão sublinhou que também a TAP SA (a companhia área) tem uma natureza semelhante, pelo que “não vai integrar o perímetro das contas públicas“.

João Leão assinalou que este ano, no Orçamento do Estado Suplementar, já está assumido o impacto no défice e na dívida do empréstimo de 946 milhões euros que o Estado vai fazer à TAP – e que pode chegar até aos 1.200 milhões de euros.

Já nesta sexta-feira, o presidente do conselho de administração da TAP disse que a reestruturação da empresa não se fará sem dor, incluindo com saídas de trabalhadores mas sem quantificar, mas considerou que a companhia não será um Novo Banco.

Os despedimentos não são inevitáveis. Agora deixe-me dizer que é um processo [de reestruturação] que não vai ser isento de dor, de sacríficos, mas sacrifícios que já estão aí, desde Abril temos larga parte dos colaboradores em layoff”, disse Miguel Frasquilho, chairman da TAP, em entrevista à Antena 1.

Segundo o chairman da TAP, quanto a trabalhadores a termo, já foram dispensados mais de 1000 desde o início da crise pandémica, pela não renovação de contratos.

Frasquilho acrescentou que os sindicatos estão “muito conscientes” do momento difícil da empresa e dos “sacríficos” que terão de ser feitos, mas disse que tanto saídas de trabalhadores como reduções de frota só serão definidas no plano de reestruturação que será elaborado nos próximos seis meses. “As perspetivas que temos são de trabalho com colaboradores, com sindicatos, queremos uma TAP viável, ao serviço do país. Nos próximos tempos, será uma TAP onde vai haver sacrifícios, dor, mas que depois possa voltar a crescer e a prestar serviços que orgulhem o país”, afirmou.

Já questionado sobre se a TAP será um Novo Banco, tendo em conta as constantes injecções de dinheiro público naquele banco, o gestor afirmou que não vê razões para isso: “Não vejo por que tenha isso de acontecer”.

Fonte: ZAP

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