José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

A instituição liderada por António Ramalho divulgou a documentação sobre a venda de imóveis. Os projetos Viriato e Sertorius foram os mais desastrosos para o Novo Banco.

O Novo Banco entregou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a documentação relativa aos grandes pacotes de vendas de imóveis. O banco antecipa-se, assim, ao pedido de António Costa para que o Novo Banco fosse impedido de realizar mais alienações até que fosse divulgada a auditoria aos seus atos de gestão.

Nos documentos entregues esta segunda-feira constam informações sobre as vendas de imóveis no âmbito dos projetos Viriato e Sertorius, avança o Expresso.

O Ministério Público confirmou hoje que estava a analisar a carta do primeiro-ministro em que pede que sejam avaliados procedimentos para acautelar a proteção dos interesses do Estado no Novo Banco, segundo fonte oficial da Procuradoria-Geral da República.

“Confirma-se a receção da carta do senhor primeiro-ministro. A mesma encontra-se em análise”, respondeu fonte oficial da PGR à Lusa.

O jornal Expresso explica ainda que apenas em cinco operações de venda de créditos e imóveis (Nata I, Nata II, Viriato, Sertorius e Albatroz), o banco liderado por António Ramalho perdeu 611 milhões de euros. Este valor deriva da diferença entre o valor a que os ativos estavam registados no balanço do banco e o seu preço de venda.

O projeto Sertorius, por exemplo, causou perdas diretas de 229 milhões de euros em 2019.

O Público noticiou, no início de julho, que o lote de quase 200 imóveis vendido em agosto de 2019 com um desconto próximo de 70% a entidades ligadas ao fundo de investimento Cerberus teve perdas de 328,8 milhões de euros e que o fundo a que foi vendido é o principal accionista do banco austríaco Bawag PSK, que era liderado por Byron Haines até meados de 2017, pouco antes de este assumir o cargo de chairman do Novo Banco.

Em 2018, o Novo Banco colocou à venda uma carteira com mais de 100 mil contratos de crédito, com um valor bruto de 1.530 milhões de euros. Uma parte deste valor – cerca de 986 milhões – estava já coberta por imparidades.

Feitas as contas, o crédito a clientes do Novo Banco registou uma diminuição de 544 milhões. O comprador final pagou 435,5 milhões de euros, resultando numa perda de 110 milhões de euros para o banco, explica o Expresso.

Ainda em 2018, no projeto Viriato, o Novo Banco colocou à venda uma carteira com quase 9 mil imóveis, com um valor bruto contabilístico de 716,7 milhões de euros. A instituição financeira previa receber 388,9 milhões de euros dos compradores. O processo de venda desta carteira gerou perdas diretas de 159 milhões.

Um ano mais tarde, Novo Banco decidiu vender ativos problemáticos na sua sucursal espanhola, naquele que ficou conhecido como projeto Albatroz. A venda da carteira, com um valor bruto contabilístico de 308 milhões de euros, gerou uma perda de 34 milhões para o Novo Banco.

Nesse mesmo ano, a Nata II viu o Novo Banco desfazer-se dos seus maiores devedores. O Expresso escreve que a intenção era alienar créditos de 3 mil milhões, mas o banco acabou a vender ativos de 1.202 milhões de euros, com uma imparidade de 1.056 milhões. A venda e crédito ao grupo americano Davidson Kempner gerou uma perda de 79 milhões de euros.


Fonte: ZAP

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