António Cotrim / Lusa

Auditores alertaram para as suas reservas em relação à atividade dos 26 fundos imobiliários geridos pela GNB, seguradora do Novo Banco, segundo relatórios e contas analisados pelo Observador.

O jornal online Observador analisou relatórios e contas dos fundos geridos pela GNB e descobriu avisos e alertas dos auditores dos negócios, nomeadamente por vendas abaixo das avaliações e dos valores de balanço nas contas de 2019 e vendas forçadas que levaram a perdas para o próprio fundo e para o banco.

O Observador menciona a auditora Baker Tilly que aponta que, nos “últimos exercícios, têm sido concretizadas alienações por parte do Fundo e daquelas empresas participadas, de alguns ativos por valores significativamente abaixo dos seus valores de balanço, em resultado de vendas forçadas e de que resultam menos-valias significativas“.

O jornal dá o exemplo de um imóvel avaliado em 6,2 milhões de euros que “foi alienado por cerca de 1,1 milhões de euros, tendo sido registada uma menos valia de cerca de 5,1 milhões de euros”, disse a auditoria do negócio. Outra sociedade, a Quinta da Areia, foi adquirida por 11,9 milhões em 2012, e acordada a sua venda no ano passado por cerca de 515 mil euros, apesar de estar valorizada em cinco milhões de euros em 2018.

As operações podem ter impacto no dinheiro que o banco pede ao Fundo de Resolução, que precisa de dinheiro do Estado para cumprir as suas responsabilidades. Para já, o Novo Banco aponta para um impacto reduzido destas perdas nos pedidos de capital com recursos a dinheiros públicos.

Contactado pelo Observador, o Novo Banco disse as operações que “decorrem do facto de os objetivos e timings de desinvestimento colocarem pressão adicional nos valores concretizados de venda dos imóveis face à sua avaliação em carteira. No entanto, é de realçar que todas as alienações de ativos foram realizadas com base em processos de venda competitivos e feitas ao melhor preço recebido”.

A auditoria independente ao Novo Banco pela Deloitte é aguardada com expectativa, principalmente depois de ter sido noticiadas suspeitas sobre a venda de imóveis e pelas sucessivas injeções de capital pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento dos contribuintes. Porém, a consultora falhou o prazo limite que o Executivo lhe tinha dado para apresentar as suas conclusões, o que fez com que o Governo suspendesse todas as eventuais operações de venda de ativos.


Fonte: ZAP

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