José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

A auditoria da Delloite à gestão do Novo Banco, que vai ser entregue no final deste mês, aponta o dedo ao período de pré-resolução, na altura em que o banco era liderado por Ricardo Salgado.

O Jornal Económico avança esta sexta-feira que a auditoria independente da Delloite ao Novo Banco vai culpar o período de gestão pré-resolução pelos problemas do Novo Banco.

Segundo uma fonte próxima ao processo, ouvida pelo mesmo jornal, os prejuízos do Novo Banco com a venda de créditos e imóveis herdados do BES são explicados “em grande parte” pela maquilhagem das contas do BES.

Este caso levou o Ministério Público (MP) a acusar 25 arguidos (18 pessoas singulares e sete coletivas), entre os quais Ricardo Salgado, acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal, no processo BES/GES. As burlas cometidas pelo ex-banqueiro terão custado 2,5 mil milhões de euros ao BES.

A Deloitte deverá agora concluir que “grande parte” dos problemas detetados na auditoria “se devem ao período de gestão pré-resolução do BES” .

Deputados desconhecem versão preliminar

Depois de o Governo revelar que a Deloitte não apresentou uma versão final da auditoria ao Novo Banco, Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, defendeu que o Parlamento devia conhecer as conclusões preliminares. Porém, de acordo com o Económico, estas nunca chegaram à Assembleia da República.

“Não foram entregues ao Parlamento”, disse João Paulo Correia, vice-presidente da bancada do PS, considerando, por outro lado, que só o resultado final do trabalho da consultora Deloitte permitirá aos partidos tomarem a sua posição. “Aguardamos pelo relatório final, que estará pronto dentro de dias, e é isso que está previsto na lei – receber as conclusões sobre as decisões tomadas e os responsáveis por elas”.

Já o Bloco considerou que o Governo colocou-se “numa posição fraca” ao permitir o adiamento da auditoria ao Novo Banco e defendeu que o Parlamento devia conhecer as conclusões preliminares porque o Executivo “tem de ser escrutinado”.

O PCP também criticou o atraso na auditoria e apontou ao Governo por “chegar tarde” e só agora defender que não devem ser feitas novas vendas de carteiras de ativos.

Já Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, defendeu que não deve ser dado “nem mais um cêntimo” ao Novo Banco até existir um “resultado claro” da auditoria, apelando ao Governo para que reforce o “controlo” neste processo.

Nascido na resolução do BES (em 3 de Agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução bancário 25%, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo.

Nos últimos meses, os termos do contrato têm sido muito contestados (desde logo o mecanismo de capital contingente que prevê que até 2026 o Fundo de Resolução compense o Novo Banco até 3.890 milhões de euros por perdas num conjunto de ativos, dos quais o banco já foi buscar 2.976 milhões de euros) e têm sido noticiados negócios suspeitos, motivando duras críticas de todos os quadrantes políticos.

A auditoria independente ao Novo Banco pela Deloitte é aguardada com expectativa, principalmente depois de ter sido noticiadas suspeitas sobre a venda de imóveis e pelas sucessivas injeções de capital pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento dos contribuintes. Porém, a consultora falhou o prazo limite que o Executivo lhe tinha dado para apresentar as suas conclusões, o que fez com que o Governo suspendesse todas as eventuais operações de venda de ativos.


Fonte: ZAP

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