José Sena Goulão / Lusa

António Ramalho, presidente do Novo Banco

O presidente do Novo Banco admitiu a existência de “pequenas desconformidades” no seu mandato, mas não exclui a hipótese de voltar a recorrer ao Fundo de Resolução.

Em entrevista ao programa “A Vida do Dinheiro”, da TSF, publicada este sábado pelo Dinheiro Vivo, o presidente do Novo Banco, António Ramalho, admitiu a existência de “pequenas desconformidades”, que “também se verificam, naturalmente, como era de esperar, em todos os mandatos”.

O responsável do banco nega ter falhado no seu mandato no que diz respeito à concessão de crédito, uma vez que as ditas desconformidades “representam 4% da totalidade, com este carácter acessório”. Além disso “todas têm justificações várias”, disse.

Em relação à venda de imóveis com grande desconto, António Ramalho defende que “é preciso alguma criatividade para ver essa nota da auditoria”. “A auditoria diz é que houve duas vendas, ou duas reavaliações específicas com descidas significativas – uma de 40, outra de 50 milhões“, especifica.

Em relação a ser a Deloitte a fazer a auditoria ao Novo Banco depois de ter assessorado a venda da seguradora GNB Vida, o rsponsável disse que “esta auditoria é feita com um objeto, que está definido por lei, é proposto pelo Banco de Portugal e decidido pelo Ministério das Finanças. O Novo Banco é o auditado e não comenta a credibilidade do auditor. Este banco é o mais escrutinado da praça portuguesa“, afirmou.

Na entrevista, António Ramalho não excluiu a hipótese de recorrer novamente ao Fundo de Resolução. “Não ponho de parte nenhum cenário. O que importa dizer aos portugueses é que nesta altura temos capacidade de financiar; financiamos o Novo Banco para que ele fique bom e no próximo ano possam contar com financiamento em resposta e a devoção do Novo Banco em relação à sociedade para dar estas respostas”, disse o responsável.

O Fundo de Resolução já colocou três mil milhões de euros no Novo Banco, com o auxílio de 2,1 mil milhões dos cofres públicos, mas há ainda uma fatia adicional que pode ser pedida ao Fundo: 914 milhões de euros.

O presidente do Novo Banco reiterou ainda que gostava que o banco não fosse arma de arremesso político porque isso não ajuda a criar valor para a instituição. “Não lhe vou dizer que sou joguete político. Acho que o banco, de alguma maneira, é feito de muitas opiniões – existem muitas sobre a resolução, sobre a venda, sobre a gestão dos ativos problemáticos que o banco tem que gerir”, rematou.

Este sábado, o Expresso noticiou que o Bloco de Esquerda faz depender a viabilização do Orçamento do Estado do fim das transferências para o Novo Banco e da realização de uma auditoria feita por instituições públicas.

O relatório da auditoria da Deloitte ao BES/Novo Banco está desde disponível no site da Assembleia da República, um documento expurgado das matérias consideradas confidenciais.

O relatório divulgado, com 370 páginas, é o enviado pelo Novo Banco ao parlamento, e contém dezenas de páginas com informação truncada, de matérias consideradas sensíveis, como o nome de devedores cujos créditos constituem perdas significativas.

O Ministério das Finanças disse que o relatório revelava perdas líquidas de 4.042 milhões de euros no Novo Banco (entre 4 de agosto de 2014, um dia após a resolução do BES, e 31 de dezembro de 2018) e “descreve um conjunto de insuficiências e deficiências graves” no BES, até 2014, na concessão de crédito e investimento em ativos financeiros e imobiliários.

A auditoria independente ao Novo Banco pela Deloitte era aguardada com expectativa, principalmente depois de terem sido noticiadas suspeitas sobre a venda de imóveis e pelas sucessivas injeções de capital pelo Fundo de Resolução com recurso a financiamento dos contribuintes.


Fonte: ZAP

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