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Artur Trindade, ex-Secretário de Estado da Energia

Vários emails trocados entre o ex-secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, e responsáveis da EDP podem ser reveladores da natureza da relação entre o antigo governante e a empresa, entende o Ministério Público.

Artur Trindade, ex-secretário de Estado da Energia, está indiciado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) por suspeitas de ter sido corrompido por António Mexia e João Manso Neto. Um dos principais motivos é a contratação do seu pai, já falecido, como consultor externo da EDP para um Comité de Acompanhamento das Autarquias.

Segundo o Público, os procuradores entendem que o pai do antigo governante foi contratado pela EDP como forma de pagamento de favores ao filho, mas acreditam que o plano inicial era outro: a elétrica tentou que fosse o BES a contratar os serviços de Artur Trindade (pai).

Entre os emails trocados, há um, datado de 8 de junho de 2012, em que uma assistente de João Manso Neto lhe reencaminha uma mensagem com o título “ENVIO CURRICULUM – AT – Dr. Am irah falar com BES para o contratar como assessor para autarquias por 7500 sem exclusividade”.

Este email levou o DCIAP a dirigir-se à direção do Novo Banco e a pedir que “verifiquem se dispõem de alguma documentação relativa a esse assunto (por exemplo, registos de entrada do arguido António Mexia no BES em maio e junho de 2012, emails ou memorandos a discutir a aludida contratação)”, escreve o diário.

Na resposta, o Novo Banco adianta que não dispõe de nenhum dos elementos mencionados.

Ao Público, Artur Trindade disse que já prestou declarações sobre esta matéria quando foi ouvido no processo. “O processo não é secreto e a comunicação social tem acesso. Remeto para lá.” Segundo o matutino, o ex-governante afirmou que não tinha conhecimento que o pai enviara o currículo a Manso Neto, nem de eventuais diligências feitas por responsáveis da EDP na sequência disso.

Para quinta-feira, está marcado um novo interrogatório, a decorrer no Tribunal Central de Instrução Criminal. Depois desta diligência, o Ministério Público revelará que medidas de coacção pretende aplicar a Artur Trindade, sendo prováveis a exigência de uma caução ou o pedido de suspensão de funções da Omip – empresa que gere o mercado de futuros do mercado ibérico de electricidade, o Mibel.


Fonte: ZAP

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