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Economia

“É desonesto eu pagar”. Paulo Maló revoltado por causa das dívidas do império que criou

Redação
Last updated: 16 Outubro, 2019 14:15
Redação
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Malo Clinic / Facebook

O empresário e médico dentista Paulo Maló.

O empresário e médico dentista Paulo Maló, fundador do grupo Malo Clinic, está revoltado com a possibilidade de ter que responder financeiramente no âmbito das dívidas de 70 milhões de euros que a empresa acumulou.

O grupo Malo Clinic está em Processo Especial de Revitalização (PER), para tentar evitar a falência. Com dívidas totais de quase 70 milhões de euros, o grupo já conseguiu um perdão de 40 milhões de euros. Assim, terá que pagar apenas 27 milhões de euros, com isenção de pagamento nos dois primeiros anos.

O Novo Banco é o principal credor e o mais prejudicado no processo. No âmbito dos empréstimos que não foram saldados, o Banco tomou posse das acções de Paulo Maló e vendeu o grupo ao Fundo de capital de risco Atena Equity Partners por 4 milhões de euros.

Paulo Maló chegou a reclamar créditos de 2,6 milhões de euros relativos a prestações de serviços, mas que não foram reconhecidos pelo PER.

O empresário pode vir agora a ser chamado a responder pelas dívidas da Malo Clinic. É essa, pelo menos, a intenção de Novo Banco e Caixa Geral de Depósitos, outro dos credores da empresa, que vão tentar executar o património pessoal de Paulo Maló.

Paulo Maló explica ao Expresso que deu avales pessoais “de boa fé em conjunto com a empresa” sobre dívidas da Malo Clinic. “Neste momento, não há processos de execução”, frisa, admitindo, contudo que “se a empresa fugir às suas responsabilidades” será “chamado a pagar o aval” que deu.

“Estamos a negociar essa situação. Vamos ver se chegamos a acordo. Certamente é desonesto eu pagar um aval para a empresa quando a empresa pode pagar, mas não quer”, constata o médico dentista.

“O processo PER distorce as responsabilidades porque dá a possibilidade à Malo Clinic de fugir ao pagamento”, lamenta ainda Paulo Maló, considerando que “a Malo Clinic tem capacidade para pagar” e que “o PER é pura ganância”.

Da Malo Clinic a vinhos e lavandarias…

Paulo Maló nasceu em Angola e viveu na África do Sul, mas foi em Portugal, para onde veio com os pais, ainda pequeno, no seguimento do fim do apartheid, que construiu um verdadeiro império financeiro.

O grupo Malo Clinic é o negócio mais conhecido do médico dentista, mas está longe de ser o único. Ao longo dos anos, Paulo Maló envolveu-se em vários negócios que vão desde vinhos a lavandarias e congelados. Abriu e fechou diversas empresas e continua associado a várias sociedades, conforme o levantamento feito pelo Expresso.

O semanário nota que Paulo Maló é accionista minoritário (25%) da empresa de congelados Gelcentro que é detida em 50% pela sua irmã, Maria Manuela Carvalho. E 20% das acções da empresa pertencem à Malo Agro Holding, uma sociedade detida pela Inovative Medical Care. Estas duas empresas pertencem também a Paulo Maló.

A Malo Agro Holding é accionista de duas outras empresas de Paulo Maló, a Malo Wines e a NCD Agroturismo, e não publica contas desde 2017, segundo o Expresso.

Também a Inovative Medical Care não publica contas há vários anos, segundo o jornal.

Paulo Maló é ainda proprietário da PSMC Imobiliária que, em 2016, revelou um prejuízo de 188 mil euros, mas que tinha capitais próprios de 2,3 milhões de euros, ainda de acordo com a mesma fonte.

O empresário esteve também ligado a outras empresas que já fecharam portas, como a Podos (comércio de equipamentos para podologia), As Amarelinhas (sociedade agro-pecuária), a KWP Consultores de Gestão, a Malo Kids, a Malo One Cabeleireiros e a GP Lavandarias.

Fonte: ZAP

TAGGED:BancaCGDEconomiaempresasNacionalNovo Banco
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