O mercado das obras públicas em Portugal iniciou 2026 sob pressão, com uma redução significativa no número de concursos e no volume de investimento, de acordo com os dados mais recentes do setor.
Entre janeiro e fevereiro, foram promovidos 776 concursos de obras públicas, representando um investimento global de cerca de 861 milhões de euros. Estes valores traduzem uma quebra de 35% no número de procedimentos e de 49% no montante global, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Também os contratos celebrados evidenciam uma evolução negativa, acompanhando a tendência registada nos concursos. No caso das empreitadas adjudicadas através de concurso público, o montante totalizou 311 milhões de euros até fevereiro, o que representa uma diminuição de 51% face ao período homólogo.
Em sentido contrário, as adjudicações por ajuste direto ou consulta prévia registaram um crescimento significativo, atingindo os 91 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 67%.
No total, até fevereiro de 2026, os contratos de empreitadas de obras públicas celebrados e registados fixaram-se em 467 milhões de euros, traduzindo uma quebra global de 35% em comparação com igual período de 2025.
Apesar deste arranque mais fraco, os dados refletem, em parte, as flutuações sazonais típicas do início do ano, período geralmente marcado por menor dinamismo na contratação pública.
O desempenho do setor nos próximos meses será determinante para avaliar a recuperação da atividade e o impacto das políticas de investimento público ao longo de 2026.


