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Home - Economia - Portugal tem de provar que aumentos de capital na SATA não foram ajudas do Estado

Economia

Portugal tem de provar que aumentos de capital na SATA não foram ajudas do Estado

Redação
Last updated: 26 Agosto, 2020 15:15
Redação
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EK056 / Flickr

A Comissão Europeia diz que Portugal tem de provar que os três aumentos de capital recentes na transportadora açoriana não foram ajudas do Estado, para se garantir a conformidade total do apoio de 133 milhões de euros.

“Cabe a Portugal demonstrar que os aumentos de capital, a partir de 2017, não foram ajudas do Estado“, assinala-se. Uma posição que tem por base o facto de, em caso de ajudas do Estado nos últimos dez anos, ser impedido novo apoio financeiro.

A posição surge na carta enviada pela vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Margrethe Vestager, responsável pela política de concorrência, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a propósito da luz verde de Bruxelas a um auxílio estatal de 133 milhões de euros à transportadora aérea açoriana SATA. O apoio consiste numa garantia de Estado a um empréstimo junto de entidades privadas.

A agência Lusa teve acesso à missiva, datada de 18 de agosto, esta quarta-feira, aquando da decisão do Executivo comunitário, sendo que, na ocasião, foi também referido que seria aberta uma investigação para avaliar o cumprimento das normas comunitárias noutros apoios públicos à companhia.

Na investigação estão em causa três aumentos de capital, realizados entre 2017 e 2020, e que vão injetar até 2023 perto de 130 milhões de euros na transportadora.

Portugal advogou que o Governo Regional dos Açores, como único acionista da SATA, atuou como um investidor privado a operar em condições de mercado.

O país pode, todavia, invocar circunstâncias “excecionais e imprevisíveis” cuja responsabilidade não poderia ser imputada à SATA para justificar as injeções financeiras, reconheceu Vestager.

Vetsager também reconheceu que as consequências de uma falência da SATA “seriam particularmente graves no contexto da crise social e económica gerada pelo surto de covid-19″ e tal dificultaria, também, “a trajetória de recuperação económica dos Açores”.

“Uma falência da SATA levaria a graves problemas sociais e dificuldades económicas para a região e efeitos colaterais significativamente negativos sobre segmentos importantes da economia” regional, é ainda assinalado.

A Comissão Europeia diz ainda ter recebido de Portugal a garantia de que o empréstimo à empresa será utilizado apenas “para atender às necessidades de liquidez urgentes identificadas”, e cobrirá os “custos normais de funcionamento”.

Assim, a SATA “não utilizará o auxílio de emergência para financiar medidas estruturais ou outras atividades que não a sua operação atual”, é dito.

As dificuldades financeiras da SATA perduram desde, pelo menos, 2014, altura em que a companhia aérea detida na totalidade pelo Governo Regional dos Açores começou a registar prejuízos, entretanto agravados pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que teve um enorme impacto no setor da aviação.

O atual conselho de administração da transportadora açoriana tomou posse em janeiro e comprometeu-se a apresentar um plano estratégico e de negócios até ao final do primeiro trimestre do ano, mas a pandemia da covid-19 obrigou a uma reavaliação do documento.

Em julho, a SATA sublinhou que “o contexto provocado pela pandemia teve um impacto muito significativo” e, devido à “paragem quase total da atividade, foram implementadas todas as medidas possíveis ao dispor da gestão, num cenário em que a preservação da empregabilidade era fundamental”.

Nos próximos seis meses, nos termos da regulamentação comunitária, a SATA irá, conjuntamente com o Governo dos Açores e a Comissão Europeia, trabalhar no plano de negócios que assegure a sustentabilidade económica e financeira do grupo e garanta os serviços de interesse económico geral no transporte aéreo interilhas e com o exterior.


Fonte: ZAP

TAGGED:aviaçãoEconomiaSATAUnião Europeia
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