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Egiptólogo garante que sabe onde está o túmulo da Cleópatra (mas é difícil de lá chegar)

Há dez anos que Zahi Hawass acredita ter identificado o local onde estão sepultados a rainha do Egito e o político e militar Marco António. Em breve, diz, revelará as coordenadas do túmulo.

“Sei onde está o túmulo de Cleópatra, a rainha do Egito”, disse Zahi Hawass numa conferência em Palermo, Itália, o antigo responsável máximo pelo Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Para já, Hawass não revela as coordenadas da sepultura e não avança pormenores que possam, de alguma forma, corroborar o que diz, mas não se cansa de repetir que está “muito perto” de desvendar um dos mistérios mais apaixonantes da história do seu país.

“Acredito que encontrei. Estou no bom caminho. Tenho grandes esperanças de dar com ela em breve”, disse durante a conferência. “O lugar preciso deu-nos, no decorrer dos trabalhos, muitos elementos que nos levarão, sem dúvida, ao túmulo da figura histórica de Cleópatra. Por isso, sabemos agora exactamente onde devemos escavar.”

Em abril de 2009, em colaboração com uma equipa dominicana liderada por Kathleen Martinez, o arqueólogo, que tem centrado boa parte da sua carreira nesta busca pelo túmulo da última rainha do Egito, tinha já falado em dezenas de artefactos recolhidos nas imediações das ruínas onde acredita estarem sepultados os dois amantes que morreram há mais de dois mil anos.

Trata-se de um templo dedicado ao deus Osíris, 45 quilómetros a sudoeste de Alexandria, cidade junto ao Mediterrâneo e capital do país durante a dinastia ptolemaica, fundada logo após a morte de Alexandre, o Grande, quando o seu império foi dividido e o Egito viria a caber ao jovem general Ptolemeu Lago.

Nesse conjunto de objetos estão uma escultura que, muito provavelmente, representará Cleópatra e Marco António abraçados, a cabeça de uma estátua de alabastro da rainha, 22 moedas com a sua efígie e um fragmento em cerâmica daquela que poderá ser a máscara funerária deste político e militar.

Na mesma zona do templo de Osíris, também há dez anos, foram ainda identificados outros 27 túmulos, tendo sido encontradas dez múmias. De acordo com as pesquisas feitas no subsolo em 2011, com recurso a radares, o que se julga pertencer a Cleópatra a Marco António estaria intocado.

A investigação entrou numa fase delicada, já que as criptas e corredores subterrâneos que deverão ser escavados pelos arqueólogos estão inundados devido à proximidade de um lago e, por isso, inacessíveis.

Segundo o El País, há muitos egiptólogos que não partilham do entusiasmo de Zahi Hawass e Kathleen Martinez, acusando-os de não terem apresentado ainda qualquer prova conclusiva da localização da sepultura.

Para Hawass, não há nada de estranho no facto de Cleópatra e Marco António estarem, presumivelmente, sepultados no Templo de Osíris: “Trata-se de um espaço funerário monumental, digno da realeza, muito importante. Não é um lugar qualquer”, disse.

Cleópatra VII, a última rainha do Egito, é uma das figuras mais fascinantes da Antiguidade. Marco António e Cleópatra, amantes, suicidarem-se depois de as forças militares de ambos terem sido derrotadas na Batalha de Áccio pelas de Octávio, o filho adotivo e herdeiro de Júlio César que viria a ser o primeiro imperador romano.

O militar romano matou-se com a sua própria espada e a última rainha do Egito com veneno, para evitar ser humilhada por Octávio e ver o seu país transformado numa província do império romano. O imperador terá permitido que fossem sepultados juntos, respeitando o desejo de ambos, não se sabendo até hoje onde fica o seu túmulo.