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Ferramentas de Ötzi revelam os últimos dias da mais velha múmia da Europa

South Tyrol Museum of Archaeology/EURAC/Samadelli/Staschitz

Ötzi, o Homem do Gelo que, com 5300 anos, é a múmia mais velha da Europa

Novas revelações sobre as ferramentas de Ötzi, a múmia dos Alpes, revelam aspetos curiosos sobre os seus últimos dias. Além disso, sabemos agora que o Homem do Gelo era destro.

A múmia pré-histórica Ötzi morreu de uma queda a 3210 metros e foi descoberta acidentalmente no gelo há 26 anos. Desde essa altura que os arqueólogos tentam entender ao pormenor a forma de vida que existia na Europa, há 5300 anos.

Os restos mortais deste homem congelado têm sido uma preciosa fonte de informação sobe a época em que viveu. De entre inúmeros exames, o mais recente focou-se nas ferramentas de pedra com que viajava. Estas ferramentas estão expostas no museu Bolzano, em Itália, assim como a própria múmia.

“Durante a sua última viagem, Ötzi levava um conjunto muito limitado de ferramentas de pedra”, disse Ursula Wierer, diretor de um novo projeto de pesquisa e arqueólogo da Soprintendenza Archeologia, Belle Arti e Paesaggio de Florença e das províncias de Pistoia e Prato.

Segundo o Diário de Notícias, o trabalho foi realizada por oito investigadores de especialidades distintas e foram publicados, no dia 20 deste mês, na revista científica PLOS One.

Os investigadores esclarecem que, quando Ötzi morreu, tinha consigo um punhal muito desgastado, duas pontas para 14 flechas, um raspador de três ferramentas de pedra e uma espécie de chave de fendas que, mais tarde, perceberam que era, afinal, um apontado. Além de todos estes instrumentos, levava também um machado de cobre e um arco que não estava completo.

Ao El País, Wierer adiantou que “a maioria das armas já tinha sido afiadas várias vezes e, portanto, já eram pequenas”. Além disso, a análise permitiu ainda concluir que este homem era destro.

Todas estas descobertas e, ainda, análises aos resíduos no estômago, permitiram perceber o percurso de Ötzi, que ficou assim conhecido por ter sido descoberto no maciço de Ötzi, nos Alpes.

Assim, sabe-se agora que este homem esteve a uma altitude de 2500 metros, depois passou para os 1200 metros e posteriormente, terá subido para uma zona onde haveria neve, a 3000 metros. Aqui, foi atingido por um flecha nas costas. Foram também detetados ferimentos que lhe terão sido infligidos quando estava a 1200 metros, adianta o diário.

Mas há uma questão que fica no ar: o porquê de Ötzi ter andado por várias zonas, a subir e a descer.

“Infelizmente, nunca saberemos. Com este novo estudo foram confirmadas as suas ferramentas de pedra. Mas, as razões da sua viagem e qual a explicação para ter sofrido dois ataques nos últimos dias de vida e quem os fez isso continua a ser um mistério”, conclui Ursula Wierer.