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Geringonça já discute Orçamento. Costa prepara-se para a crise

Manuel de Almeida / Lusa

Já arrancaram as negociações para o Orçamento do Estado para 2019, com elementos do Governo socialista a encontrarem-se com o PCP, depois de um primeiro encontro com o Bloco de Esquerda. E com a tensão que paira no seio da “geringonça”, Costa vai lançando avisos na antecipação de uma provável crise.

A reunião formal de topo entre o Governo socialista e o PCP, para discutir o Orçamento do Estado para 2019 (OE2019), realizou-se esta terça-feira, no Terreiro do Paço, em Lisboa, disseram à agência Lusa fontes ligadas ao processo.

O encontro aconteceu sem informação prévia à comunicação social e num dia em que o primeiro-ministro, António Costa, enviou alguns recados aos parceiros de esquerda, durante as jornadas parlamentares do PS no Alentejo.

“Não estamos nem arrependidos, nem com vontade de mudar“, frisou Costa, sublinhando, contudo, que o último ano de legislatura não pode ser eleitoralista. Antes disso, já o líder parlamentar do PS, Carlos César, tinha apelado ao sentido de responsabilidade de Bloco de Esquerda (BE), PCP e Os Verdes.

“Tenho a certeza de que todos partem para esta negociação do [Orçamento do Estado para 2019] com o mesmo espírito construtivo“, frisou ainda Costa.

“Não será por ser ano de eleições que vamos sacrificar a boa governação ao eleitoralismo“, acrescentou o primeiro-ministro, frisando que não é pela proximidade das eleições que se vai “pôr em causa tudo aquilo que conquistámos duramente ao longo dos últimos três anos”.

Os recados a BE e PCP surgem numa altura de tensão no seio da “geringonça”, nomeadamente por causa da greve dos professores devido aos moldes de descongelamento das carreiras.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, manteve também as duras críticas às alterações à lei laboral preconizadas pelo executivo, bem como à crescente convergência com PSD e CDS-PP por parte dos socialistas.

Jerónimo pediu ainda a manutenção do rumo traçado em 2015, queixando-se de que o “rompimento com a política de direita” nunca aconteceu de facto.

O secretário-geral do PCP também se queixou da “pressão inaceitável” por parte do primeiro-ministro e do Presidente da República que têm vincado a importância de aprovar o OE2019, para que não haja uma crise política.

Marcelo Rebelo de Sousa voltou a vincar esta ideia no final de uma festa da Casa Pia de Lisboa, no Jardim Vasco da Gama, em Belém.

“Espero que, no fim deste processo todo, haja um Orçamento que chegue às minhas mãos para promulgar”, salientou o chefe de Estado, alertando que, dada a conjuntura económica, nomeadamente com “o risco de uma guerra comercial na Europa”, “juntar a essa situação qualquer tipo de ruído ou de crise não é bom para Portugal“.

“O mundo não acaba com esta legislatura”

Costa, por seu turno, vai declarando que nenhuma negociação do Orçamento é “fácil”, “mas também não tenho visto nenhum que fosse impossível”, diz.

“Não acredito que o PEV, o PCP ou o BE queiram pôr em causa aquilo que tem sido o sucesso desta solução governativa“, acrescenta, deixando mais um recado aos aliados de “geringonça”.

“O mundo não acaba com esta legislatura”, continua Costa no mesmo tom de aviso, numa altura em que se continua a falar de um Bloco Central entre PS e PSD, e quando Rui Rio tem mantido um discurso muito pouco crítico relativamente ao primeiro-ministro. Marques Mendes já disse que o presidente do PSD mais parece “o número dois de António Costa“.

Fonte: ZAP