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Investigadores propõem alargar testes a quem tem dor de cabeça e obstrução nasal

Guillaume Horcajuelo / EPA

Um grupo de quatro investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) recomendou o alargamento dos critérios para testes de covid-19, aconselhando que passem a incluir sintomas como dor de cabeça, corrimento ou obstrução nasal, dor de garganta e dores musculares.

A atual norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) considera um caso como suspeito apenas quando há ou tosse ou febre, falta de ar, perda de olfato ou de paladar, lembrou o Público, que avançou a notícia na terça-feira.

A equipa sugere igualmente “uma estratégia de comunicação” junto da população para esclarecer sobre os sintomas ligeiros, propondo que seja dada “uma indicação clara para isolamento de pessoas com sintomas respiratórios de qualquer gravidade, acautelando a sua proteção relativamente a questões laborais e financeiras”.

“Medidas restritivas mais gerais podem falhar na contenção da transmissão se os cidadãos continuarem a desvalorizar um conjunto de sintomas ligeiros”, sublinharam Vasco Peixoto, André Vieira, Pedro Aguiar e Alexandre Abrantes, no artigo de opinião publicado na terça-feira no Barómetro Covid-19 da ENSP da Universidade Nova de Lisboa.

“Com a evolução da pandemia a lista de sintomas tem sido alargada e, hoje, o Center for Disease Control (CDC) dos EUA e a Organização Mundial de Saúde recomendam que se incluam como critérios para se se fazerem testes de covid-19 a combinação de dois ou três dos sintomas seguintes: nariz obstruído, corrimento nasal, dor de garganta, dores musculares, dores de cabeça, náuseas, vómitos, diarreia ou fadiga”, referiram.

A desvalorização destes sintomas “representa um ângulo morto do controlo da pandemia e pode estar a contribuir para o atual descontrolo da mesma na Europa em contexto de maiores contactos laborais e sociais associados a diminuição de restrições”, indicaram.

De acordo com a equipa, a utilização de testes rápidos de antigénio, que arrancou segunda-feira em Portugal, pode permitir que se testem as pessoas que apresentam sintomas respiratórios ligeiros.

“Há um custo-benefício em valorizar sintomas ligeiros. Deixar a transmissão da infecção descontrolada também implica fazer mais testes durante um período de tempo. É importante levar em conta aquilo que se prevenia em número de casos de infeção, possível ‘lockdown’ e custos com hospitalizações”, disse Vasco Peixoto.