Manuel Araújo / Lusa

Isabel dos Santos

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal também abriu um inquérito a Isabel dos Santos e aos seus investimentos em Portugal, investigando suspeitas de branqueamento de capitais. Uma notícia que surge numa altura em que José Eduardo dos Santos, o pai da empresária e ex-presidente de Angola, admite fazer revelações sobre a fortuna de actuais governantes do país.

Depois de o Procurador Geral de Angola (PGR) ter vindo a Portugal, pedir ajuda para localizar a fortuna de ex-governantes angolanos no nosso país, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) resolveu abrir um inquérito a Isabel dos Santos, segundo o que apurou o Sol.

O semanário refere que foi constituída uma “task force de magistrados” que será liderada pelo procurador Rosário Teixeira, o mesmo que esteve à frente da investigação da Operação Marquês, para analisar os investimentos feitos por Isabel dos Santos em Portugal. O DCIAP “vai passar a pente fino” os negócios da empresária no nosso país, bem como as informações da Procuradoria-Geral de Angola e a documentação dos “Luanda Leaks” que foi divulgada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas e obtida pelo hacker Rui Pinto.

O Sol realça que “a carta rogatória entregue há duas semanas pelo PGR angolano foi incluída no inquérito, o que dá margem às autoridades para uma ampla actuação”.

O foco da investigação da justiça portuguesa serão movimentações financeiras em diversos bancos, nomeadamente no EuroBic, e que poderão indiciar crimes de branqueamento de capitais. O Sol nota que estarão em causa, especialmente, transferências de 73 milhões de dólares de uma conta da Sonangol no EuroBic que foram feitas por ordem do então director do Private Banking do banco e gestor de conta de Isabel dos Santos, Nuno Ribeiro da Cunha, que foi encontrado morto no final de Janeiro.

José Eduardo dos Santos ameaça fazer revelações

Entretanto, começa a especular-se que o próprio José Eduardo dos Santos pode vir a ser investigado pela justiça angolana. É João Lourenço quem o admite numa entrevista à Deutche Welle, garantindo que não vai proteger governantes, nem outras figuras da sociedade angolana, que estejam envolvidos em suspeitas.

As declarações de João Lourenço caíram mal a José Eduardo dos Santos que terá ameaçado divulgar a forma como actuais dirigentes angolanos enriqueceram durante a sua presidência.

“Só não abriu a boca porque o general “Kopelipa”, ex-chefe da Casa Civil, foi a correr a Barcelona pedir-lhe que se mantivesse calado, prestando um bom serviço ao país”, aponta uma fonte próxima de José Eduardo dos Santos ao Expresso.

Isto acontece quando o Expresso noticia que o actual chefe de gabinete do Presidente de Angola recebeu mais de 15 milhões de euros quando foi ministro de Estado e chefe da Casa Civil de José Eduardo dos Santos. O semanário dá conta de transferências suspeitas para contas de Edeltrudes Costa no BAI — Banco Angolano de Investimentos que terá uma fortuna pessoal avaliada em 20 milhões de euros.

Algum do dinheiro de Edeltrudes Costa estará investido em Portugal, nomeadamente em imóveis.

Espera-se que José Eduardo dos Santos volte a Angola em Março, aquando da abertura do ano judicial no país. E há muita gente a torcer por uma “solução política”, esperando que João Lourenço e José Eduardo dos Santos cheguem a um qualquer entendimento que permita a “redenção” de Isabel dos Santos, com a devolução do dinheiro que o Governo angolano alega que desviou.

João Lourenço já disse que não vai negociar com a empresária. Se a intransigência se mantiver, pode ser o princípio de um grande terramoto em Angola, com repercussões imprevisíveis.

Fonte: ZAP

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