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Macacos de zoo na Finlândia preferem ouvir sons de trânsito do que da selva

Chi King / Wikimedia

O macaco parauaçu (Pithecia pithecia)

Macacos de um jardim zoológico na Finlândia demonstraram uma preferência “significativa” por sons de trânsito em vez dos habituais barulhos da selva.

Como parte de uma experiência para ver como a tecnologia pode melhorar o bem-estar de animais em cativeiro, cientistas instalaram um túnel com sensores no recinto dos macacos no Jardim Zoológico Korkeasaari, em Helsínquia, na Finlândia, dando aos primatas a possibilidade de escolher ouvir os sons da chuva, do trânsito, sons zen ou o estilo dance music, conta a agência France-Presse (AFP), citada pelo site Science Alert.

“Pensámos que iriam gostar de sons mais calmantes, como música zen, mas, na verdade, eles acionaram mais os sons do trânsito“, disse à AFP Ilyena Hirskyj-Douglas, investigadora da Universidade Aalto.

A trilha sonora de veículos a passar de forma ruidosa provou ser a escolha mais popular entre os animais que, às vezes, optavam por dormir ou limpar-se dentro do túnel – algo que não faziam com nenhum dos outros sons, acrescenta Hirskyj-Douglas.

A coordenadora de pesquisa deste jardim zoológico, Kirsi Pynnonen, disse acreditar que os sons da estrada, na verdade, imitam alguns dos meios naturais de comunicação dos macacos.

“Na natureza, estes macacos usam assobios, guinchos e grasnidos agudos para se manterem em contacto”, declarou. Ruídos esses que os animais podem ouvir no barulho do trânsito.

Esta não é a primeira vez que são realizados experimentos sonoros com animais em cativeiro, mas os cientistas dizem que esta foi a primeira tentativa de dar às criaturas controlo total sobre o que queriam ouvir.

No futuro, isto pode permitir que os jardins zoológicos deem aos animais estímulos extra nos seus recintos. “Os animais poderiam, por exemplo, controlar a iluminação, o calor ou a temperatura, ou até mesmo jogar jogos. A tecnologia é muito aberta, e estamos apenas a começar a fazer a ponte para esta área”, disse Hirskyj-Douglas.

Segundo Pynnonen, outros zoos na Europa demonstraram interesse nas descobertas desta investigação publicada, a 30 de setembro, na revista científica MDPI. O próximo passo será instalar ecrãs dentro do túnel para os macacos observarem, se assim o desejarem.