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Misterioso primata extinto descoberto em túmulo milenar de nobre chinesa

lucianosilva / Flickr

Os gibões estão actualmente sob ameaça de extinção devido à actividade do Homem

Um túmulo com cerca de 2300 anos, que pode ter pertencido à avó de Qin Shihuang, o primeiro imperador da China, escondia um tesouro mais valioso do que toneladas de ouro: uma nova espécie de gibão.

Em 2004, foi escavado um túmulo na província de Shaanxi que poderia ter pertencido à avó de Qin Shihuang, o primeiro imperador da China. Além de vestígios de diversos objetos domésticos, o túmulo continha restos de um lince, um leopardo, um urso-negro-asiático e, para surpresa dos arqueólogos, restos do esqueleto de um misterioso símio.

Uma análise detalhada à parte do crânio encontrada no túmulo, a medição dos seus dentes e depois de realizadas comparações com pequenos símios atuais, os cientistas perceberam que se tratava de um novo género e espécie de gibão, a que deram o nome de Junzi imperialis.

O crânio pode conter ADN, no entanto, as autoridades chinesas não permitiram que a equipa de cientistas tirasse amostras ao osso. Mas isso poderia ter ajudado a determinar os parentes mais próximos desta nova espécie.

Os gibões são pequenos símios que habitam as florestas tropicais do Sudoeste asiático. Segundo o Público, no tempo em que o Junzi imperialis viveu, os gibões eram animais de estimação com um elevado estatuto na China.

Os restos encontrados correspondem a um novo género e espécie de gibão, o Junzi imperialis.

“Os gibões foram considerados culturalmente importantes ao longo da história da China”, lê-se no artigo científico, publicado esta sexta-feira na revista Science. Aliás, Junzi é a palavra chinesa para funcionário escolar, que era associado aos gibões por estes animais serem considerados mais sábios e nobres do que os outros símios.

No entanto, esse estatuto não lhe valeu a sobrevivência, e o Junzi imperialis não conseguiu chegar aos dias de hoje. Esta espécie terá sobrevivido, segundo os cientistas, até há poucas centenas de anos e não se sabe com o se extinguiu. No entanto, é muito provável que tenhamos sido nós os culpados.

“Todos os símios do mundo estão atualmente ameaçados de extinção devido às atividades humanas, mas nenhuma espécie de símio foi considerada extinta como resultado da caça ou da perda de habitat. No entanto, a descoberta da recente extinção do Junzi muda tudo isso e realça em particular a vulnerabilidade dos gibões”, disse Samuel Turvey, da Sociedade Zoológica de Londres e autor do trabalho.

E o estudo sustenta: “a nossa caracterização do Junzi imperialis sugere que a perda de diversidade dos primatas causada pelos humanos no passado deverá estar subestimada, o que tem implicações importantes para a compreensão das vulnerabilidades de extinção e de informações de conservação”.

A equipa acredita que o Junzi é o representante de todas as outras espécies extintas que não se conhecem. Desta forma, os cientistas defendem que se deve investigar a fundo a perda de biodiversidade na Ásia ao longo do tempo.