Ian Wilmut, o cientista que liderou a equipa que criou o clone da famosa ovelha Dolly, com o objetivo de descobrir uma cura para o Parkinson, revelou agora que é portador da doença.

O Professor Ian Wilmut ficou mundialmente conhecido, em 1997, quando revelou a Dolly, o primeiro mamífero a ser clonado a partir de uma célula adulta. O seu nascimento provou que as células especializadas podem ser usadas para criar uma cópia exata do animal de onde vieram.

A chegada da Dolly em 1996 criou histórias de terror e de esperança em igual medida. Além disso abriu caminho para outros cientistas trabalharem numa nova iniciativa de pesquisa sobre doenças, incluindo a doença de Parkinson, de acordo com a BBC.

Agora, passados quase 22 anos do nascimento do clone, o cientista revelou que, antes do natal, foi diagnosticado com Parkinson. “Não queria fazer um grande segredo à volta disto. Se é útil de alguma forma mencioná-lo e no contesto da pesquisa é bastante útil, então fico muito contente de o fazer”, revelou.

“Quando soube, tive uma sensação de clareza. Pelo menos agora sabemos e podemos começar a fazer algo sobre isso. Obviamente fiquei dececionado com a possibilidade de ver a minha vida encurtada e, mais particularmente, a minha qualidade de vida alterada”, revelou.

Ian demonstra já bastantes problemas de locomoção, uma das características da doenças degenerativa, já que o Parkinson pode causar uma série de sintomas, incluindo movimentos lentos, rigidez muscular e agitação involuntária.

The Roslin Institute / The University of Edinburgh

A ovelha Dolly foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta.

“Eu nunca fui um alpinista, mas, como escocês, gosto de andar. Perguntei ao meu médico na semana passada, caso recuperasse as forças, se seria razoável almejar caminhar quatro ou cinco quilómetros por dia. Ele foi bastante desencorajador”, explicou.

Os tratamentos existentes para a doença podem ajudar a controlar os sintomas, mas não há a fazer para retarda ou parar a progressão da doença. O trabalho original de clonagem levado a cabo pelo cientista e a sua equipa para produzir Dolly no Instituto Roslin da Universidade de Edimburgo teve consequências de longo alcance neste campo.

O trabalho abriu caminho para outros desenvolverem um método de usar células adultas para produzir células reprogramáveis que se poderiam desenvolver em qualquer tipo de tecido no corpo – as chamadas células-estaminais pluripotentes induzidas, ou iPSCs.

Essas células-estaminais personalizadas são usadas no MRC Center for Regenerative Medicine, em Edimburgo. Tilo Kunath, líder do grupo no centro, explicou que “a clonagem da ovelha Dolly pelo professor Wilmut realmente transformou o pensamento biológico“.

E acrescentou: “Isso realmente abriu os olhos de muitos cientistas – a partir daí, os cientistas começaram a ver como uma possibilidade a reversão da idade das células ou sa idade de um animal”.

“A sua descoberta abriu uma área da biologia que transformou a maneira como tentamos estudar doenças, a maneira como modelamos doenças e acho realmente empolgante que uma das condições que as iPSCs abordarão seja a doença de Parkinson.”

Estas células são muito promissoras como terapia devido ao seu potencial para reparar tecidos danificados. Os primeiros ensaios clínicos de iPSCs para Parkinson devem começar no Japão ainda este ano.

A Iniciativa Dundee-Edimburgo, que o professor Sir Ian Wilmut está a apoiar, planeia organizar os primeiros testes clínicos na Escócia, com o objetivo de reduzir a probabilidade de Parkinson e será lançado na sexta-feira.

O professor Sir Ian Wilmut explica: “Para mim, a ciência sempre foi importante, não apenas por causa do conhecimento básico que adquire, mas por causa das oportunidades, ou, neste caso, do tratamento“.

Fonte: ZAP

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