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Estudantes estão cada vez mais a recorrer a líderes religiosos em busca de ajuda psicológica

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A procura de apoio psicológico por parte dos estudantes universitários é cada vez maior. É aqui, que os capelães universitários desempenham um papel de grande importância.

As altas taxas de problemas de saúde mental entre os estudantes, incluindo alguns casos trágicos de suicídio, destacaram a vulnerabilidade de muitos jovens que enfrentam as pressões do ensino superior quando estão fora de casa pela primeira vez.

Líderes universitários mostraram o seu compromisso em fortalecer o apoio aos estudantes e os serviços de aconselhamento estão mais ocupados do que nunca. Contudo, há um recurso frequentemente negligenciado: a capelania.

Os capelães são representantes de organizações religiosas ou de uma crença que trabalham nas universidades para apoiar as necessidades religiosas das comunidades. Em Portugal, a Universidade de Coimbra e a Universidade Católica Portuguesa são exemplos de algumas faculdades com capelania para os seus estudantes.

Um estudo recentemente publicado no site Church of England, mapeou e examinou o trabalho de capelães universitários no Reino Unido. Os resultados revelam que a capelania é parte integrante da vida universitária em muitas faculdades. Isto vai contra a imagem generalizada de que a busca do conhecimento não deixa lugar para a religião.

Crescimento e diversificação

Há pelo menos mil capelães a trabalhar em universidades britânicas, representando todas as religiões, mas nem sempre foi assim.

Antes da década de 60, a capelania do ensino superior limitava-se principalmente às universidades, como Oxford ou Cambridge, que designavam o clero anglicano como capelão. Vinte anos depois já maioria das universidades tinha um capelão anglicano.

A capelania tem origem numa tradição cristã, baseada na colocação do clero no ministério não paroquial. Historicamente, os capelães foram nomeados para servir altos funcionários como monarcas ou bispos ou em instituição públicas como prisões, hospitais, escolas, universidades e forças armadas.

À medida que a diversidade religiosa do Reino Unido cresceu, as universidades também procuraram atender às necessidades de outras religiões, incluindo estudantes judeus, muçulmanos e hindus. Recentemente, os capelães humanistas tornaram-se cada vez mais populares.

Um subsídio para apoio psicológico?

Os investigadores descobriram que, a cada ano, os capelães universitários contribuem com cerca de 4,5 milhões de libras de trabalho voluntário para o ensino superior. Voluntários representam mais 40% do total de capelães universitários e dão cerca de 3.500 horas de trabalho gratuito por semana.

Enquanto parte do papel dos capelães é a facilitação da prática religiosa entre os estudantes crentes, essa não é a parte mais importante. Os capelães passam maior parte do tempo em atividades pastorais. Isso inclui apoio e aconselhamento individualizado para os alunos — e às vezes para docentes também.

O estudo mostra que esse apoio não se limita aos estudantes crentes, mas é também estendido e recebido por estudantes de variadas religiões e até mesmo ateus.

E os capelães não parecem afetados com isso. Muitos deles entendem que o seu papel é servir toda os estudantes da universidade, em vez daqueles que apenas têm a mesma religião que a sua.

“Acho que temos sido uma universidade muito mais aberta e recetiva, já que o nosso capelão uniu os estudantes e ensinou-lhe tolerância e respeito”, disse um reitor não identificado de uma universidade britânica.

Metade dos capelães entrevistados durante o estudo disseram ter gerado um maior apoio e investimento universitário no seu trabalho. Além disso, pouco menos de metade diz ter contribuído para mudanças na prática organizacional.

É importante lembrar que os capelães são massivamente subsidiados por organizações religiosas. Assim, este estudo vem deitar por terra a ideia de que a educação universitária é um dos principais impulsionadores da secularização — o processo pelo qual a religião se torna menos significativa socialmente.

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