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Primeiro tratamento com vírus geneticamente modificado salva jovem às portas da morte

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Pela primeira vez no mundo, um vírus geneticamente modificado foi usado como tratamento para salvar a vida de uma jovem. A britânica contraiu uma infeção resistente a antibióticos após um transplante de pulmões.

Aos 17 anos de idade, Isabelle Holdaway foi a primeira paciente a ser tratada com um vírus geneticamente modificado e não podia ter corrido de melhor maneira. A jovem conseguiu recuperar de uma infeção resistente a antibióticos que contraiu após um transplante de pulmões.

Depois de passar nove meses no hospital de Great Ormond Street, em Londres, a jovem regressou a casa para receber cuidados paliativos. Contudo, Isabelle conseguiu recuperar depois do seu médico juntar forças com um laboratório americano para desenvolver uma terapia experimental.

“É uma ciência médica incrível. Foi um milagre“, disse a mãe de Isabelle, que foi a primeira a sugerir o tratamento aos médicos após ter lido sobre o assunto na internet.

Os cientistas por detrás deste avanço científico dizem que estes vírus geneticamente alterados capazes de matar as bactérias — conhecidos como fagos — têm o potencial de serem usados como um tratamento alternativo para combater a resistência aos antibióticos cada vez mais comum.

John Wiley and Sons / Wikimedia

Exemplo de um fago

Isabelle foi submetida a um transplante de pulmões, uma vez que sofre de fibrose cística, uma doença genética que, segundo o The Guardian, resulta em infeções frequentes que entopem os pulmões com muco. No verão de 2017, os seus pulmões estavam apenas com um terço do seu desempenho normal. Os médicos decidiram então que fazer um transplante de pulmões era a melhor opção.

Depois do transplante, Isabelle contraiu uma infeção semelhante à tuberculose e que poderia ser fatal. “Ela perdeu muito peso. Estava literalmente um esqueleto“, disse a mãe. “Não havia nada que pudessem fazer para deixá-la confortável. Foi horrível”, acrescentou.

O tratamento recorre a fagos, que infetam as células bacterianas e matam-nas. “A ideia é usá-los como antibióticos — como algo que poderíamos usar para matar as bactérias que causam infeções”, disse Graham Hatfull, o cientista americano que colaborou com o hospital britânico.

Em junho do ano passado, Isabelle tomou um cocktail de fagos e, passadas seis semanas, um exame ao fígado revelou que a infeção tinha essencialmente desaparecido. “Nunca achamos que chegaríamos a um ponto que se usasse esses fagos terapeuticamente. É um resultado brilhante”, disse Hatfull.

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