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Algumas cidades vão ter climas nunca antes vistos no planeta Terra

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As alterações climáticas já são visíveis em várias regiões do globo, mas as consequências poderão ser bem mais graves a médio e longo prazo, alerta um relatório divulgado pelo jornal científico Plos One.

De acordo com o documento, citado pelo The Guardian, que analisa as 520 maiores cidades mundiais, cerca de 80% das metrópoles vão enfrentar efeitos dramáticos do aquecimento global, sublinhando por exemplo que Londres poderá ter um clima semelhante ao de Barcelona em 2050. A capital britânica deverá registar também nessa altura períodos de seca com consequências óbvias ao nível da economia e da saúde.

Também Madrid poderá registar temperaturas semelhantes às que se assinalam atualmente em Marraquexe, enquanto Estocolmo poderá ter um clima similar ao de Budapeste.

Já a capital russa poderá ter daqui a 30 anos temperaturas como as que se registam hoje em dia na capital búlgara, ao passo que Nova Iorque deverá ter um clima semelhante ao de Virginia Beach.

As cidades que se encontram atualmente nas zonas temperadas e frias no hemisfério norte vão ter um clima com as mesmas características de cidades mais próximas do Equador. Em média, as temperaturas deverão aumentar até 3,5 graus no verão e até 4,7 graus no inverno nas cidades europeias. Várias metrópoles serão atingidas por períodos de seca.

Os investigadores alertam ainda que “cerca de um quinto das cidades mundiais vão enfrentar consequências ao nível das alterações climáticas nunca antes vistas”, como será o caso de Singapura, Jacarta ou Kuala Lumpur.

“Trata-se de condições ambientais que nunca experimentámos em nenhum lugar do mundo. Isso significa que haverá novos desafios políticos, novos desafios ao nível das infraestruturas que nunca verificámos antes”, afirmou ao mesmo jornal Tom Crowther, fundador do Crowther Lab, que liderou esta investigação.

“Não estamos preparados para isto. Responder às alterações climáticas tem que começar de forma a se minimizar o seu impacto”, concluiu.

Um estudo publicado há poucos meses sugeria que, até ao ano de 2080, as cidades na América do Norte sentirão que estão a 800 quilómetros de onde estão hoje – na maioria das vezes, serão mais quentes e mais húmidas, como se todo o país existisse no sul dos EUA.

Na terça-feira, as Nações Unidas alertaram para a necessidade de os governos mundiais serem mais ambiciosos quanto ao combate das alterações climáticas até 2030. O objetivo é travar as consequências do aquecimento global e diminuir as desigualdades no mundo.

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