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Médicos alertam: técnica de tapar a boca com fita-cola para dormir melhor é perigosa

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Chama-se “buteyko” e consiste em encontrar formas de respirar melhor pelo nariz, entre as quais fechar a boca enquanto dormimos. A tendência está a gerar um debate entre os médicos, que consideram esta técnica perigosa.

Foi Andien Aisyah, uma famosa cantora da Indonésia, quem fez a estalar a polémica, ao publicar no Instagram uma fotografia na qual aparece com o marido e o filho de dois anos, todos de boca tapada com fita-cola.

Na publicação, a artista revelou aos 1,6 milhões de seguidores que, nos últimos três meses, começou a praticar uma coisa chamada “buteyko”, um método com 70 anos que envolve encontrar formas de respirar melhor pelo nariz, entre as quais fechar a boca enquanto dormimos.

A cantora indonésia explicou que este método a ajuda não só a dormir melhor, como também a impediu de ficar com a garganta seca ou com mau hálito.

De acordo com a BBC, a técnica foi desenvolvida em 1950 pelo médico soviético com o mesmo nome, Konstantin Pavlovich Buteyko (1923-2003). O especialista acreditava que as condições respiratórias, sobretudo a asma, poderiam estar ligadas à forma como respiramos e, portanto, se os pacientes aprendessem a respirar de forma correta – pelo nariz – os problemas desapareceriam.

Quase sete décadas mais tarde, a terapia continua a ser popular e tem praticantes em todo o mundo, que alegam que o “buteyko” combate uma série de doenças, como diabetes, fadiga crónica, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e depressão.

Mas talvez a condição com a qual esteja mais associada seja mesmo a apneia do sono. Patrick McKeown, fundador da Clínica Internacional de Buteyko, na Irlanda, diz que “a respiração oral é um grande fator para a apneia obstrutiva do sono”, porque pode empurrar a língua para trás e obstruir as vias aéreas. Tapar a boca com fita, afirma, pode impedir que isso aconteça.

No entanto, a comunidade médica discorda e alerta para os perigos deste método. “Entendo que seja preferível respirar pelo nariz, mas a maioria das pessoas não abre a boca a não ser que esteja com dificuldade de respirar pelo nariz”, diz a otorrinolaringologista Kathleen Yaremchuk, especialista do sono.

Nirmal Kumar, otorrinolaringologista e presidente da organização médica britânica Ear, Nose and Throat UK, que reúne médicos desta especialidade, também concorda e diz que “não há evidências convincentes na literatura médica que apoiem este tratamento”.

Além do facto de tapar a boca com fita-cola ser pouco eficaz, ambos avisam que pode ser também perigoso, já que há a possibilidade de vómito noturno poder levar qualquer um a morrer engasgado. “Se estiver doente e tiver que vomitar, não vai ser capaz de o fazer”, alerta Yaremchuk.

Apesar de ser um defensor deste método, McKeown diz ser totalmente contra o uso da fita-cola quando se trata de crianças pequenas. O fundador da clínica diz ter visto a fotografia de Andien na rede social e diz que isso “não é de forma alguma recomendado, porque existe um perigo significativo de a criança morrer durante o sono“.

“Com crianças pequenas, o uso da fita pode ocorrer talvez a partir dos cinco anos de idade, mas não a colocamos diretamente sobre os lábios”, explica. Numa emergência, a maioria dos adultos provavelmente acorda e consegue arrancar a fita-cola, algo que os mais pequenos não conseguirão fazer com tanta facilidade.

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