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Manto de gelo da Antártida ainda liberta cloro radioativo de testes nucleares dos anos 50

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Um novo estudo confirmou que o manto de gelo da Antártica ainda está a libertar cloro radioativo, proveniente de testes feitos com armas nucleares na década de 1950.

Quando as bombas nucleares são detonadas — tal como aconteceu nas décadas de 50 e 60, com os testes dos Estados Unidos no Oceano Pacífico —, o cloro-36 é um dos isótopos radioativos libertados no ar, quando os neutrões reagem com o cloro na água do mar.

Desde então, outros isótopos voltaram aos níveis pré-teste, mas, aparentemente, isso não aconteceu com o cloro-36, como mostra um novo estudo agora citado pelo Science Alert.

Este isótopo também ocorre naturalmente e é usado pelos cientistas para datar os núcleos de gelo, juntamente com o berílio-10. No entanto, no seu estado padrão, o cloro-36 fica permanentemente preso pela neve na Antártida, portanto, não devemos encontrar nenhuma leitura dele na atmosfera.

“Já não há cloro-36 nuclear na atmosfera global. É por isso que devemos observar os níveis naturais de cloro-36 em todos os lugares”, explica a cientista Mélanie Baroni, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino das Geociências do Meio Ambiente de França (Cerege).

Ao analisar duas áreas específicas da Antártida — uma com relativamente pouca queda de neve anual e outra com muita —, os cientistas descobriram que altos níveis de cloro-36 ainda estão presentes perto da superfície do gelo à volta do local com pouca queda de neve, a estação de pesquisa russa Vostok.

Em 2008, havia dez vezes os níveis naturais de cloro-36 no gelo à volta da base. A radioatividade resultante é muito pequena para ter um sério impacto na atmosfera da Terra, mas parece que, afinal, este isótopo é mais resistente do que se pensava. Para surpresa dos cientistas, também está a mostrar ser mais ágil, subindo das profundezas da neve desde 1998.

As conclusões deste estudo, publicado em setembro na revista Journal of Geophysical Research – Atmospheres, podem dar-nos uma nova visão sobre como o clima da Terra evoluiu ao longo de milhões de anos.

Além disso, esta investigação também serve como lembrete para o impacto duradouro que as armas nucleares têm no ambiente, décadas depois de terem sido detonadas.

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