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Coronavírus pode replicar-se na boca e nariz durante uma semana antes de infetar pulmões

Franck Robichon / EPA

O coronavírus pode permanecer e replicar-se na boca e no nariz durante uma semana antes de infetar aos pulmões, à traqueia e aos brônquios, revela um estudo, que mostra igualmente que é expulso do organismo em grandes quantidades, através das fezes, nas primeiras duas semanas de doença.

O estudo, citado pelo Observador e cujas conclusões foram publicadas na quarta-feira na Nature, envolveu nove pacientes com Covid-19 que foram acompanhados num hospital em Munique, Alemanha, em janeiro deste ano.

Os autores do estudo – já revisto pelos pares -, frisaram que o número de pacientes vistos é pequeno, sendo necessário estudar e seguir mais pessoas, durante mais tempo. Ainda assim, a amostra permitiu tirar algumas conclusões recorrendo aos materiais biológicos recolhidos no nariz, boca, catarro, sangue, urina e fezes.

De acordo com o artigo, as amostras recolhidas no nariz e faringe dos doentes com uma zaragatoa – entre o primeiro e o quinto dia de sintomas -, tinham, em média, 676 mil cópias da informação genética do vírus. No máximo, encontraram-se 711 milhões de cópias numa só zaragatoa.

A equipa, liderada por Christian Drosten, especialista em novos agentes patológicos virais, indicou que estes valores chegam a ser mil vezes superiores aos registados durante a epidemia da síndrome respiratória aguda grave (SARS), em 2003. Este vírus tem também uma grande capacidade de se replicar quando ainda está na boca, nariz ou garganta.

Nalguns casos, estas cópias da informação genética do vírus só deixaram de ser detetadas ao fim de 28 dias nas zaragatoas, mesmo com os pacientes já sem sintomas. Nas fezes, essas cópias persistem durante 18 dias, em média, ou até 26. A equipa recolheu ainda amostras que sugerem que o coronavírus consegue replicar-se no trato gastrointestinal.

Isso “coloca as estratégias de contenção da Covid-19 em perspetiva. Estas descobertas sugerem uma transmissão mais eficiente de SARS-CoV-2 no momento em que os sintomas ainda são leves e típicos de infeção do trato respiratório superior”, descreveu a equipa.

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