Sebastião Moreira / Lusa

Um estudo espanhol, que abrangeu mais de 60 mil pessoas, colocou em causa a viabilidade da imunidade de grupo como forma de combater a pandemia de covid-19, estimando que apenas 5% da população tenha desenvolvido anticorpos contra a doença.

De acordo com o estudo, publicado na revista científica Lancet e citado pelo Diário de Notícias, cerca de 70% a 90% da população tem de estar imune para proteger os que não estão nem nunca estiveram infetados.

Segundo a BBC, o estudo revelou que a prevalência de anticorpos contra a doença ficou abaixo de 3% nas regiões costeiras e que era mais alta nos locais com surtos generalizados. “Apesar do alto impacto da covid-19 em Espanha, as estimativas de prevalência permanecem baixas e são claramente insuficientes para fornecer imunidade de grupo”, disseram os autores do estudo.

A imunidade de grupo “não pode ser alcançada sem aceitar o dano colateral de ocorrerem muitas mortes na população mais vulnerável e sem sobrecarregar os sistemas de saúde”, apontou o estudo, referindo que para controlar a pandemia são necessárias as “medidas de distanciamento social” e a identificação e isolamento de novos casos e dos seus contactos.

A principal descoberta deste estudo, que será o maior do género na Europa, é que a maioria da população parece não ter sido exposta ao vírus.

No domingo, Espanha registou 78 novos, elevando para 251.789 o número total de infetados no país desde o início da pandemia, anunciou o Ministério da Saúde espanhol. As autoridades informaram ainda que foram verificados 12 novos óbitos relacionados com a doença covid-19 nos últimos sete dias, totalizando 28.388 vítimas mortais.

Nos últimos dias, os novos surtos levaram ao regresso das medidas de confinamento em algumas localidades espanholas, como Segrià, nos arredores de Lérida, na Catalunha, que está a envolver o confinamento de cerca de 200 mil pessoas, e em Lugo, na Galiza, onde as autoridades ordenaram o confinamento de 70 mil pessoas.

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