Só no ano passado, os cientistas viram-se obrigados a mudar os nomes de 27 genes humanos por causa de um erro de leitura do Microsoft Excel.

Tal como explica o portal The Verge, que avança a notícia esta semana, cada gene é batizado com um nome e código alfanumérico, conhecido como símbolo, que os cientistas utilizam para coordenar as suas investigações.

Estes códigos são lidos erradamente por esta ferramenta da Microsoft amplamente utilizada pela comunidade científica que converte o símbolo alfanumérico numa data.

Por exemplo, quando um investigador insere o código de um gene humano numa célula de uma folha de Excel, como MARCH1 – abreviação de “Membrane Associated Ring-CH-Type Finger 1” – a ferramenta converte numa data – 1-Mar.

Além de extremamente frustrante, este erro de leitura pode ser perigoso, uma vez que pode corromper dados e, consequentemente, estudos científicos.

“É realmente muito, muito chato”, admitiu ao mesmo portal Dezső Módos, biólogo de sistemas do Quadram Institute no Reino Unido, notando que estes tipos de erros acontecem recorrentemente quando a ferramenta é utilizada.

“É uma ferramenta difundida e, se és analfabeto a nível da computação, vais utilizá-la”, disse, admitindo que no seu doutoramento recorreu ao Excel.

A ferramenta não permite desativar esta formatação automática, passando a única forma de evitar o erro por alterar o tipo de dados para colunas individuais. Mas, ainda assim, os dados podem ser comprometidos: quando uma outra pessoa abre a mesma folha de Excel sem pensar na formatação, erros poderão ser cometidos.

Não consigo alterar a ferramenta, a comunidade científica decidiu tomar medidas, optando o Comité de Nomenclatura Genética (HUGO) por padronizar os nomes dos genes, de forma a evitar que estes erros atrapalhem as investigações.

Nesta semana, foram publicadas novas diretrizes para a renomeação de genes, incluindo símbolos que afetam o “tratamento e a recuperação de dados”.

A partir de agora, os genes serão nomeados tendo em conta as “fragilidades” da formação automática do Excel: o símbolo MARCH1 passará agora a ser o MARCHF1 e, em igual sentido, o SEPT1 passará a ser nomeado como SEPTIN1.

O registo será também guardado pelo HUGO para evitar confusões no futuro.

Os “novos batismos” dos genes foram realizados já no ano passado, mas as diretrizes oficiais só foram publicadas nesta semana, disse ao The Verge Elspeth Bruford, coordenador do comité de nomenclatura.


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