Manuel Araújo / Lusa

A empresária angolana Isabel dos Santos anunciou esta terça-feira que vai deixar o seu lugar na administração da operadora de telecomunicações Unitel.

“Após 20 anos dedicados à criação, ao desenvolvimento e ao sucesso da Unitel, optei por deixar o cargo de membro do conselho de administração da empresa”, disse Isabel dos Santos num comunicado enviado à agência Lusa.

A empresária que controla a Vidatel, detentora de 25% da empresa, explica que a sua decisão se prende com “o clima de conflito permanente” que se instalou no conselho de administração da empresa, que tem como principal acionista a petrolífera estatal Sonangol.

Este mês, a operadora angolana Unitel SA reclamou uma dívida de 345 milhões de euros da sociedade que é detida por Isabel dos Santos. Sob investigação estão alegadas transferências de dinheiro da Unitel SA que terão sido feitas para a Vidatel, a sociedade através da qual Isabel dos Santos detém 25% desta operadora.

Isabel dos Santos negou ter recebido transferências injustificadas da Unitel, garantindo antes ser credora da operadora de telecomunicações que alegadamente não terá devolvido um empréstimo que obteve junto da acionista Vidatel Ltd.

A Unitel SA, por sua vez, nega que tenha dívidas à empresária angolana e lembra que ainda tem 345 milhões de euros a receber de um empréstimo feito à Unitel International Holdings, que nada tem a ver com a empresa angolana, mas que é detida exclusivamente por Isabel dos Santos.

O dinheiro terá sido emprestado em 2012 e 2013 para Isabel dos Santos investir em ações da ZON e realizar a fusão com a Optimus, que originou a NOS.

O principal caso à volta dos Luanda Leaks está relacionado com ordens de transferência de uma conta da Sonangol no EuroBic, sediado em Lisboa, para uma empresa offshore no Dubai, alegadamente controlada por Isabel dos Santos, no montante de cerca de 90 milhões de euros, em cerca de 24 horas, num período de tempo que se seguiu à demissão da empresária da liderança da petrolífera angolana.

Isabel dos Santos foi constituída arguida, em Angola, na sequência das revelações do caso Luanda Leaks. Foram revelados, no final de janeiro mais de 715 mil ficheiros, que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que terão permitido retirar dinheiro do erário público angolano, utilizando paraísos fiscais.

O tribunal de Luanda decretou o arresto preventivo de contas e participações sociais de Isabel dos Santos, do seu marido Sindika Dokolo, e do seu gestor Mário Filipe Moreira Leite da Silva, ex-presidente do Conselho de Administração do Banco de Fomento de Angola (BFA). Entre as empresas que foram alvo de arresto das participações inclui-se a Unitel.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana admitiu mesmo a possibilidade de avançar, “em coordenação com as entidades judiciárias portuguesas”, para a emissão de um mandado de captura contra Isabel dos Santos.


Fonte: ZAP

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