Testar se está infetado com covid-19 pode vir a tornar-se cada vez mais rápido e fácil. Na quarta-feira, a Food and Drug Administration (FDA), autorizou a Abbott Laboratories a lançar o novo teste que poderá estar à venda por apenas 5 dólares.

Segundo a revista Science, o novo teste é capaz de detetar proteínas virais que são exclusivas do SARS-CoV-2, o vírus que causa o COVID-19. Ao contrário do diagnóstico convencional de coronavírus, o teste de Abbott não requer nenhum equipamento de laboratório especializado.

A Abbott diz que o novo teste deverá custar apenas 5 dólares (cerca de 4 euros), e por isso a empresa pretende produzir dezenas de milhões de testes entre setembro e outubro. Ao fornecer respostas quase em tempo real sobre quem está infetado, o novo teste vai permitir que os infetados se apercebam rapidamente que devem ficar em casa e diminuir a possibilidade de propagação.

Michael Mina, epidemiologista do T.H.Chan School of Public Health, está radiante com a nova descoberta. “Esta é uma notícia maravilhosa”, afirma, defendendo que há muito que desejava uma mudança nos testes.

“Este é um grande passo em direção ao desenvolvimento, e aprovação de testes semelhantes que podem eventualmente ser usados como ferramentas de saúde pública. Estou muito animado com este passo”, garante Mina. Batizado de BinaxNOW, o teste da Abbott usa um dispositivo do tamanho de um cartão de crédito com uma tecnologia de fluxo lateral para detetar sinais de SARS-CoV-2.

Depois de retirada a amostra nasal, esta deve ser colocada no dispositivo juntamente com algumas gotas da solução, que ajudam o material a fluir por uma tira, contendo anticorpos que se ligam ao vírus e criam uma mudança de cor e sinalizam a presença de proteínas SARS-CoV-2.

O dispositivo da Abbott não é o primeiro teste deste tipo, com capacidade para detetar a covid-19, no mercado. Contudo, os outros testes exigem equipamentos especializados para ler os resultados, limitando assim o seu uso generalizado. Tanto Mina, como outros especialistas em saúde pública, têm defendido a utilização destes testes mais simples em escolas e locais de trabalho.

Os EUA realizam cerca de 700 mil testes de coronavírus por dia. Quase todos requerem uma instalação de laboratório com equipamento especializado para detetar material genético exclusivo do SARS-CoV-2, tornando o custo mais elevado.

Joseph Petrosino, diretor de virologia do Baylor College of Medicine, admitiu em comunicado que “os testes de laboratório têm uma viabilidade excelente, mas são muito demorados”. O especialista explica que a principal falha destes testes é que durante o período de espera do resultado, os pacientes continuam a interagir com outras pessoas, e quando o resultado é revelado já podem estar infetadas sem saber.

Ainda assim, de acordo com o FDA, o novo teste da Abbott identifica corretamente pacientes com o vírus em 97,1% das vezes, e pessoas sem o vírus 98,5%.

Charles Chiu, especialista em medicina laboratorial da Universidade da Califórnia, explica que “a disponibilidade de testes mais rápidos deverá ajudar a apoiar laboratórios sobrecarregados, acelerar os tempos de resposta, e expandir muito o acesso às pessoas que precisam deles”.


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