Os lagos glaciares têm crescido rapidamente em todo o mundo nas últimas décadas, o que se deve às alterações climáticas. De acordo com imagens de satélite, que revelam o impacto do aumento da água que derrete dos glaciares, o aumento já vai em 50% em apenas 30 anos.

O artigo, publicado na revista Nature Climate Change, a 31 de agosto, tem com base uma investigação de 30 anos, onde foram analisados dados provenientes dos grandiosos satélites da NASA. Os glaciares estão a recuar a uma escala global acabando por se derreter e formar lagos. Este estudo fornece aos cientistas uma imagem mais clara da quantidade de água que tem ficado armazenada nos lagos.

Dan Shugar, da Universidade de Calgary, no Canadá refere que “nem toda a água proveniente do fenómeno do degelo, chega de imediato aos oceanos. Até agora não havia dados para analisar a quantidade de água que era armazenada em lagos ou em águas subterrâneas”, disse em comunicado. O estudo conclui que o volume atual dos lagos glaciares ronda os 156 quilómetros cúbicos de água.

Shugar e os seus colegas de equipa trabalham com uma bolsa do Programa High Mountain Asia da NASA. Inicialmente, começaram por usar imagens de satélite e outros dados para estudar alguns lagos glaciais em High Mountain Asia, a região geográfica que inclui o planalto tibetano e as cadeias de montanhas circundantes, incluindo os Himalaias.

“Escrevemos scripts no Google Earth Engine, uma plataforma online para análise de dados geoespaciais. A partir daí, fomos capazes de construir uma relação de escala para perceber qual o volume dos lagos glaciares do mundo”, explica Shugar.

A equipa analisou mais de 250 mil imagens das missões do satélite Landsat, uma iniciativa conjunta entre a NASA e o Programa de Estudos Geológicos dos Estados Unidos. Há décadas não teria sido possível processar e analisar este enorme volume de dados, relata o Cienciaplus.

A equipa analisou os dados em cinco etapas cronológicas, começando em 1990, para examinar todas as regiões glaciares do mundo – com exceção da Antártica – e assim analisar como os lagos glaciares mudaram durante esse período. Shugar destaca que, embora a água do degelo glaciar armazenada nos lagos contribua pouco para o aumento do nível do mar, pode ter um impacto significativo nas comunidades montanhosas.

Os lagos glaciares não são estáveis, uma vez que na sua maioria, são constituídos ​​por gelo ou sedimentos glaciares que formam a moreia – que é feita de pedras soltas e detritos que são empurrados para dentro, para a frente e para as laterais dos glaciares.

Esta situação pode causar quebras nas margens dos glaciares, o que causaria inundações massivas. Esse tipo de inundações em lagos localizados junto a glaciares, são conhecidas como inundações repentinas, e foram responsáveis ​​por milhares de mortes no século passado, bem como pela destruição de aldeias, infraestruturas e gado. Em maio de 2020, uma inundação repentina num lago glaciar atingiu Hunza Valley, no Paquistão.

Shugar prevê que este cenário também seja um problema para outras comunidades. “Há muitos sítios no mundo onde as pessoas vivem muito perto desses lagos, principalmente na região dos Andes, no Butão, e no Nepal, onde essas inundações podiam causar danos devastadores”.

Ainda assim, já estão a ser realizados trabalhos de controlo deste fenómeno. “Organizações como as Nações Unidas estão a ajudar nos trabalhos de mitigação onde os lagos estão a aumentar, para tentar reduzir os riscos ao máximo”, garante Shugar.

Na América do Norte, os riscos apresentados por inundações num lago glaciar são menores, pois “não existem muitas infraestruturas ou comunidades perto destes locais, contudo não estamos imunes a este fenómeno”, remata o investigador.


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