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CiênciaCoronavírusMundoSaúde Pública

Grupo de 156 países em iniciativa para acesso justo à vacina para covid-19. EUA ficam de fora

Redação
Last updated: 23 Setembro, 2020 17:15
Redação
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Jean-Christophe Bott / EPA

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus

Um total de 156 países – representando cerca de 64 por cento da população mundial – comprometeram-se a reunir recursos para ajudar a desenvolver, comprar e distribuir equitativamente dois mil milhões de doses de uma vacina para a covid-19 até o final de 2021.

“Esta não é apenas a coisa certa a fazer, é a coisa inteligente a fazer”, disse o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, um dos responsáveis pela Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI) e pela Vaccine Alliance (Gavi).

Até agora, 64 países desenvolvidos aderiram à iniciativa conjunta, bem como 92 de baixa e média receita, elegíveis para receber apoio na aquisição de vacinas. O CEO da Gavi, Seth Berkley, disse na segunda-feira, durante uma conferência de imprensa da OMS, que espera a cooperação de outros 38 países nos próximos dias.

Alguns dos países de alta receita já a bordo são a Austrália, o Canadá, o Japão, a Suécia, o Reino Unido e os 27 estados membros da União Europeia (UE). A lista de 92 países de baixa e média receita inclui a República Democrática do Congo, o Gana, a Índia, a Mongólia, a Ucrânia e o Vietname.

O grupo reunirá recursos para apoiar o desenvolvimento de pelo menos nove vacinas, já iniciadas, e, após aprovadas, comprará as doses para as distribuir de maneira justa. “Não é caridade, é do interesse de todos os países”, afirmou Tedros Ghebreyesus na conferência. “Afundamos ou nadamos juntos”, sublinhou.

Este esforço global exigirá pelo menos 35 mil milhões de dólares (cerca de 30 mil milhões de euros). Até agora, foram arrecadados cerca de três mil milhões. Tedros Ghebreyesus pediu na segunda-feira uma injeção imediata de 15 mil milhões para manter a iniciativa.

Um dos países ausentes da lista é os Estados Unidos (EUA). A administração Trump disse no início deste mês que não se juntaria ao programa – designado COVID-19 Vaccines Global Access (COVAX) Facility – devido ao envolvimento da OMS. O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou no final de maio que pretendia retirar o país da OMS.

National Cancer Institute / Wikimedia

Também ausentes da lista estão a Rússia e a China, que já emitiram autorizações para vacinas experimentais e começaram a distribuí-las antes da conclusão dos ensaios clínicos.

Alguns países de alta receita – incluindo os EUA – têm negociado acordos individuais para garantir milhões de doses se uma vacina for bem-sucedida nos testes. Esses acordos, que Tedros Ghebreyesus classifica como “nacionalismo de vacinas”, podem reduzir os suprimentos para distribuição global.

Por outro lado, se os acordos não resultarem numa vacina segura, os países que só têm acordos bilaterais podem ter dificuldades em obter acesso a uma vacina bem-sucedida. A OMS sugeriu que os países façam os seus próprios acordos, ao mesmo tempo que adiram à iniciativa global.

Os países que participam da COVAX, por seu lado, terão a garantia de receber uma parte das doses de uma vacina de sucesso. Num relatório divulgado recentemente, a OMS indicou que o grupo distribuirá vacinas em duas fases.

Na primeira fase serão fornecidas a cada país um abastecimento para 20% da sua população, começando pelos grupos de alto risco, como profissionais de saúde, idosos e pessoas com problemas de saúde.

Como os suprimentos serão limitados no início da distribuição da vacina, a fase um tem um estágio inicial que visará apenas 3% da população de cada país, continuando a ser administrada até que cada país atinja os 20%.

A segunda fase começa quando forem distribuídas doses para vacinar a população além dos 20%. No entanto, nesta fase, a alocação para cada país pode ser ponderada tendo em consideração a transmissão local e outras vulnerabilidades.


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