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Em Viseu, pais pediram compreensão ao patrão e ajuda aos avós

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News - Fonte Lusa

O apelo à compreensão do patrão e o recurso aos avós foram estratégias delineadas antecipadamente por pais para enfrentarem a greve dos professores que, de acordo com o sindicato, está hoje a contar com uma grande adesão em Viseu.

“No distrito, há um número muito grande de escolas do primeiro ciclo e centros escolares encerrados e de escolas básicas dos 2º e 3º ciclos onde se regista grande adesão”, disse à agência Lusa o dirigente do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) Francisco Almeida, num primeiro balanço.

Por exemplo, segundo Francisco Almeida, na Escola Básica 2/3 do Viso, em Viseu, “às 08:30 havia mais de 60% dos professores em greve”, prevendo-se um aumento da adesão a partir do meio da manhã.

Já a prever essa situação na Escola Básica 2/3 do Viso, onde a sua filha frequenta o 6º ano, ainda antes das 08:30 Luís Cabral foi perguntar a um funcionário se haveria greve, mas ainda era cedo para ter uma resposta e tinha de ir trabalhar.

“Se houver greve, tenho de arranjar maneira de a conseguir vir buscar, apesar de isso me causar transtorno no trabalho. Como tinha ouvido nas notícias que ia haver greve, já deixei o meu patrão de sobreaviso para a possibilidade de ter de sair”, contou à Lusa.

Outros pais, pressionados pela hora de entrarem no trabalho, disseram apenas que não podiam ficar à espera e, caso não houvesse aulas, os filhos telefonariam aos avós ou a outros familiares para os irem buscar e não terem de passar o dia na escola.

A filha de Paulo Almeida, que frequenta o 9º ano, tem a vida mais facilitada: “Se não tiver escola, vai para casa sozinha, porque vivemos perto”.

Rosa Sá não terá de pedir favores se os seus filhos, que frequentam o 6º e o 12º anos, não tiveram aulas.

“Só têm de me telefonar a avisar e eu venho buscá-los. Felizmente tenho essa possibilidade a nível profissional”, contou.

Também Sandra Ribeiro poderá ir buscar o seu filho à escola em caso de necessidade, porque é professora em Oliveira de Azeméis (a cerca de 100 quilómetros de Viseu) e decidiu fazer greve.

“Estamos fartos de trabalhar e não nos contam o tempo para efeitos de progressão. Sou professora desde 2000 e estou no mesmo escalão desde sempre, no primeiro”, lamentou.

Segundo Francisco Almeida, no distrito de Viseu estão fechados, por exemplo, os centros escolares de Cinfães, Lamego, Mortágua, S. João da Pesqueira e S. Cipriano (Resende).

Na cidade de Viseu, o Centro Escolar Rolando de Oliveira – onde ao início da tarde estará o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira – “tem 89% de professores em greve, só uma turma está a ter aulas”, acrescentou.

No que respeita à educação pré-escolar, Francisco Almeida exemplificou com o Sátão e Vila Nova de Paiva, onde “não há nenhum jardim-de-infância a funcionar”.

Esta greve é a resposta dos professores à falta de consenso sobre a contagem de todo o tempo de serviço, no processo de descongelamento das carreiras da Função Pública.

No primeiro dia de greve, os sindicatos admitiram estar a ponderar a realização de “uma grande manifestação” e de voltar a agendar uma paralisação no terceiro período de aulas.

A tutela admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, mas estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses, embora admitam um processo faseado.

A greve decorre esta semana, por regiões, tendo começado na terça-feira nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal e na Região Autónoma da Madeira.

A greve, que hoje chegou à região Centro, termina sexta-feira no Norte e nos Açores.

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