Andamos às voltas a pensar na vida, nas preocupações e no que temos para fazer, desviando as atenções do imediato e de obstáculos que inopinadamente nos podem aparecer no caminho.

A pé ou de bicicleta, a capacidade de reação é maior. E mesmo quando não o podemos evitar, a velocidade e o risco de provocar danos ao magoar alguém a sério também é reduzido.

Já de carro, será raro o condutor com a real percepção do peso da responsabilidade pelas vidas que transporta ou que se lhe atravessam à frente e que nas mãos leva uma tonelada de lata capaz de ferir ou até mesmo matar.

Em mais uma normal manhã de quarta-feira, o Sr. Sicrano tinha acabado de abastecer um cliente e já pensava nas próximas voltas a caminho da loja. Ao chegar a uma rotunda, até abrandou à aproximação da passadeira, fez o tal movimento de olhar para a entrada mais à esquerda, acelerou, seguiu e quando olhou em frente travou de imediato mas já não a tempo de evitar o choque.

Em mais uma normal manhã de quarta-feira, este que vos escreve quis tratar de burocracias no banco, antes de seguir para o trabalho. Montou-se na bicicleta como normalmente faz, ainda mais em hora de ponta, e pôs-se a caminho. Ainda fez uns 5 km sofrendo algumas razias com ultrapassagens a menos de 1,5 metros de distância (mas que não são agora para aqui chamadas). Ao chegar à tal rotunda, também ele abrandou – não que fosse depressa até porque com piso molhado nunca fiando – entrou com segurança e apercebeu-se da aproximação de um carro à direita – mão no travão porque, lá está, nunca fiando – mas como o carro abrandava, fiou-se e continuou. Só que o carro também continuou e ele antecipou tudo o que viria a seguir, também sem o conseguir evitar.

Ainda antes do Sr. Sicrano sair do carro e perguntar se estava bem, já me punha de pé, sacudindo as calças meio zonzo e com uma dor ainda ligeira no pulso. Sim, parece que sim. Desculpe lá, não o vi. Pois sim, mas já cá estava e com prioridade. Tem razão, a culpa é minha, e a bicicleta, como está? Vamos ver. Fotografias, troca de contactos, o Sr. Sicrano assumiu a responsabilidade e mais tarde encontrámo-nos para a participação ao seguro. Sem celeumas, amigos como dantes. Quando o fizemos, já tinho ido eu ao hospital para confirmar duas fraturas no pulso.

Esta não é uma crónica anticarros (ainda que ache que os há a mais nas cidades) ou pró-bicicletas (que uso diariamente como principal meio de deslocação). Esta crónica quer ser apenas uma simples chamada de atenção: a pé, de bicicleta, mas sobretudo ao volante, que deixemos de lado as contas de cabeça (e já agora o telemóvel, ainda que não tenha sido o caso) e que ponhamos os olhos na estrada e ao redor. Para a esquerda, para a direita e, já agora, para frente.

P.S.: texto escrito com a mão esquerda e a ajuda das sugestões do dicionário do smartphone enquanto esperava no centro de saúde.

Fonte: SIC

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