Início Cultura Artistas brasileiros denunciam suposta censura à imprensa portuguesa e são desmascarados

Artistas brasileiros denunciam suposta censura à imprensa portuguesa e são desmascarados

Os motivos que impedem o lançamento do longa nada tem a ver com censura. Segundo o próprio realizador, o lançamento no Brasil depende da aprovação de uma linha de financiamento de 1 milhão de reais (160 mil euros) junto à Agência Nacional de Cinema brasileira: "esse dinheiro não foi liberado devido a um problema de inadimplência da produtora responsável pela produção do longa, a O2 Filmes", referiu a Ancine.

Diversos artistas brasileiros que fizeram sucesso naquele país em novelas ou séries de TV já desembarcaram cá em Portugal, seja para viver ou passar uma temporada a promover seus mais recentes trabalhos. Deste modo, é natural que concedam entrevistas a veículos de comunicação portugueses e sejam questionados sobre aspetos da cultura e até mesmo da política.

Antagonista do governo Bolsonaro, o ator Wagner Moura, que ganhou fama mundial com o filme Tropa de Elite, ao interpretar o intrépido e controverso Capitão Nascimento, recentemente declarou à imprensa portuguesa, em entrevista ao Diário de Notícias, que o filme Marighella, que tem o mesmo como realizador e protagonizado pelo cantor Seu Jorge, até a presente altura, um anos após a estreia mundial, não estreou ainda no circuito brasileiro porque está a sofrer censura velada por parte do Governo, afirmação que foi desmascarada pela Ancine (Agência Nacional de Cinema). Segundo o órgão, os motivos são bem distintos em relação aos apresentados por Moura.

Marighella

O filme Marighella, já acumula uma carreira notável mundo afora, sendo selecionado e exibido em trinta festivais internacionais. O cantor Seu Jorge, que interpreta o guerrilheiro morto pela ditadura em 1969, arrebatou o prêmio de melhor ator nos festivais de Bari, na Itália, e de Goa, na Índia. Apesar disso, o longa continua sem data para entrar no circuito nacional.

Moura afirma que a Ancine está a dificultar a estreia do longa no Brasil por motivos ideológicos. Segundo o ator e realizador, “eles [o Governo] infiltram pessoas nessas agências, e elas tornam tudo impossível de acontecer. Foi isso que fizeram com Marighella. Acharam uma forma de tornar o lançamento impossível do ponto de vista burocrático.”

Marighella é a primeira realização do ator de Tropa de Elite e de Narcos, tem uma carregada marca política: Carlos Marighella (1911-1969), escritor, deputado e guerrilheiro brasileiro e que fundou a ALN, grupo terrorista criado por ele, em 10 de agosto de 1968, que executou o famoso assalto ao trem pagador, que percorria a linha Santos-Jundiaí para obter recursos e assim financiar o grupo e outros atos terroristas. Marighella também é responsável por explosões e execuções, sendo estas últimas também defendidas no seu Manual, que relatava em detalhes como deveriam ser planejados e executados atos terroristas em favor dos movimentos de guerrilha contra o governo.

Ancine e imprensa brasileira desmentem Wagner Moura

Contudo, já se sabe que os motivos que impedem o lançamento do longa nada tem a ver com censura. Segundo o próprio realizador, o lançamento no Brasil depende da aprovação de uma linha de financiamento de 1 milhão de reais (160 mil euros) junto à Ancine: “esse dinheiro não foi liberado devido a um problema de inadimplência da produtora responsável pela produção do longa, a O2 Filmes”. Em nota enviada a VEJA, uma das maiores revistas do Brasil e de maior credibilidade, os responsáveis pela Ancine afirmam que a O2 não consegue receber recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para Marighella porque está inadimplente na prestação de contas de outro financiamento, relacionado ao filme O Sentido da Vida. E conforme se pode constatar, a justificativa da Ancine é totalmente verdadeira.

Em contato com a revista VEJA, a produtora reconheceu o problema e disse que já tomou todas as medidas cabíveis para solucioná-lo. A O2 declarou também que pretende resolver o imbróglio do financiamento de Mari­ghel­la para poder lançá-lo o mais breve possível e admitiu que a demora em viabilizar a estreia nacional está relacionada a questões burocráticas. “Em nenhum momento acreditamos que houve qualquer tipo de censura.” Ou seja, de acordo com o que se percebe das declarações da produtora, Wagner Moura faltou com a verdade e acusou o governo brasileiro de censura.

Outros artistas que acusam o governo brasileiro de censura

Portugal tem recebido muitos artistas como o ator Pedro Cardoso, que ficou famoso no Brasil após 20 temporadas da série A Grande Família, na pele do impagável personagem Agostinho Carrara. Em entrevistas recentes a veículos de comunicação portugueses, Cardoso tem tecido duras críticas ao governo brasileiro e alega que veio viver em Portugal em busca de liberdade. No entanto, não há registo formal de denúncia do ator contra o governo, nem tampouco pedido de asilo político ou quaisquer indícios que ele esteja impedido de exercer a profissão no Brasil.

Recorde-se que o ator foi dispensado da Rede Globo de televisão, maior estação de TV do Brasil, após o encerramento do projeto A Grande Família, assim como a maioria do elenco que trabalhava naquela atração. Despedido pela TV Globo, não conseguiu recolocação profissional no mercado de trabalho, em especial por conceder inúmeras entrevistas em que falava mal de seus antigos patrões.

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