“Estive 12 anos como presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, tendo vivido nessa época alguns dos momentos mais trágicos da história do concelho", diz Paulo Teixeira

Em março de 2001, por volta das 21h15, acontecia a maior tragédia rodoviária de Portugal. Cinquenta e nove pessoas morreram após um autocarro e dois carros caírem da ponte Hintze Ribeiro, que ligava Castelo de Paiva, no distrito de Aveiro, à localidade de Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, no distrito do Porto. O colapso da estrutura, inaugurada em 1887, marcou profundamente a alma dos habitantes da região e dos emigrantes naturais dessa zona que viviam no Brasil.

Nessa época, quem presidia à Câmara Municipal de Castelo de Paiva era Paulo Ramalheira Teixeira, que, hoje, afastado da dinâmica política, recorda com tristeza essa noite fatídica, além de outros acontecimentos, e diz estar seguro de todas as decisões que na época teve de tomar.

“Estive 12 anos como presidente da Câmara Municipal de Castelo de Paiva, tendo vivido nessa época alguns dos momentos mais trágicos da história do concelho. Dois anos e dois meses após iniciar funções no executivo municipal, aconteceu a maior tragédia rodoviária que alguma vez tivemos em Portugal. Ao todo, 59 pessoas morreram após a queda de um autocarro da Ponte Hintze Ribeiro. Dessas vítimas, 53 eram do concelho. Dois anos depois, em 2003, aconteceu outra grande tragédia no concelho, mas no aspeto social, com o encerramento da então maior empresa local, a fábrica inglesa de calçado C.J. Clarks, que lançou no desemprego 588 pessoas. Foram dois acontecimentos muito mediáticos em Portugal e que marcaram o meu mandato. A oposição, agora no poder, nomeadamente no caso da Clarks, não se portou à altura”, desabafou o ex-autarca, que comandou essa edilidade de 1998 a 2009.

Paulo Teixeira, que atualmente está a atuar na área da consultadoria empresarial e do Direito, além de estar ligado ao ramo da educação como Formador, aproveita para lançar dúvidas sobre as lideranças que governam hoje Castelo de Paiva.

“O município é atualmente presidido por quem liderou a oposição à minha pessoa desde 2005 e penso que devem ter alguma síndrome, pois, quando acontece alguma coisa de mal no concelho, a culpa é do antecessor, ou seja, minha. Já se passaram dez anos desde a minha saída da presidência da Câmara e parece que a minha sombra continua a incomodar o atual poder”, destacou Paulo Teixeira, que sugeriu ainda que existem, hoje, ações políticas e públicas diferentes das da época em que liderou o executivo municipal local.

“Há muitas coisas que eu, se fosse presidente da Câmara, fazia de maneira diferente e com menos folclore. Estou a tentar encontrar algo que marque o atual executivo e vejo a feira agrícola ao domingo. Vejo que ainda nada fizeram para construir a zona de acolhimento empresarial da Cruz da Carreira, que foi a promessa eleitoral deles nas eleições de 2009, vejo que os passadiços prometidos foram um logro, só têm 300 metros, falta uma estratégia na dinamização turística do concelho, verifico que a promessa da ligação de Castelo de Paiva à autoestrada A32 é mais uma promessa adiada, vi o presidente da Câmara a mudar de opinião em relação à nossa ligação à autoestrada A4 com a conclusão do IC35, vejo a falta de dinamismo na captação de investimento empresarial para o concelho, vejo o património municipal da Casa da Boavista a desaparecer e uma inércia total do Município e tudo isto considerando que, há cinco anos, vejo venderem património a amigos políticos a preço muito inferior ao indicado pelas finanças estaduais, queixavam-se do número de técnico superiores que existiam no Município quando eu era presidente, agora é melhor nem contar, porque excede largamente. Vejo um vereador a pagar uma multa para não ser julgado, depois de ser acusado de uma falsificação de um documento. Não podendo esquecer que precisamos de muita coisa em Castelo de Paiva, e que o partido que está na Câmara é o partido que está no poder central, mas o presidente da Câmara, às vezes, parece ter medo de falar contra o Governo e defender a sua terra. Só aceito isto se tiver à espera de algum lugar político, pois está a 14 meses de cessar funções e não se pode candidatar mais”, criticou Teixeira, que lamentou haver “oportunidades perdidas” na região.

“Castelo de Paiva, em termos turísticos, tem uma localização ímpar, com mais de 13 kms de frente para o Rio Douro, tem os rios Arda, Sardoura e Paiva e as suas serras. E instalar baloiços só não chega. A nível económico, o município não tem sabido potenciar o regulamento de incentivos aos investimentos empresariais que criamos e deixamos em 2009”, finalizou Paulo Teixeira.

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