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Saiba o que fazer se for picado por uma vespa asiática

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Nas últimas semanas, o número de notificações recebidas pelas autoridades relacionadas a vespas asiáticas atingiu seu valor mais alto até agora. Só no concelho de Castelo de Paiva, já são mais de 60 ninhos encontrados apenas em Setembro. Mas o facto é que este insecto está a ser identificado até mesmo mais ao sul, na zona metropolitana de Lisboa, o que chegou a obrigar as autoridades a encerrar os Jardins das Quintas das Conchas e dos Lilases, no final de agosto: as vespas estão por toda a parte.

Em Portugal, já existem casos de algumas mortes associadas às vespas. Um homem de Guimarães morreu este fim-de-semana depois de ser picado por uma vespa, embora as causas da morte ainda não estarem confirmadas.

Em meio a todo alarde e pavor que estes insectos estão a causar nas pessoas, especialistas contam o que fazer se, por acaso, acontecer o infortúnio de ser picado por uma vespa asiática.

O que fazer se for picado?

De acordo com a CUF, estes são alguns cuidados que deve ter:

  1. Remova o ferrão ou parte do inseto que possa ainda estar cravado na pele;
  2. Lave o local da picada abundantemente com água fria;
  3. Se sentir dor, tome um analgésico, como o paracetamol ou ibuprofeno. Siga sempre as indicações do folheto e tome a dose recomendada;
  4. Se tem comichão, aplique gelo ou uma pomada de venda-livre comprada na farmácia para aliviar o sintoma. Outra opção passa por tomar um anti-histamínico;
  5. Para reduzir o edema aplique gelo na lesão.

E se for alérgico?

A picada da vespa costuma provocar apenas uma reação local, com dor, comichão, vermelhidão e inchaço no local. Nos casos de reação alérgica grave – anafilaxia – os sintomas surgem alguns minutos após a picada e podem evoluir severamente:

  • Reação cutânea – urticária, angiodema;
  • Sintomas digestivos – náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal;
  • Respiratórios – pieira, estridor, falta de ar;
  • Cardiovasculares – taquicardia, tonturas, confusão, sensação de desmaio;
  • Choque anafiláctico com paragem cardiorrespiratória.

Os doentes com historial de reações alérgicas devem ser portadores de um estojo de emergência com adrenalina para auto-administração. Devem também ir a um Centro de Imunoalergologia, para avaliação e eventual indicação para vacina anti-alergénica com extrato de veneno em ambiente hospitalar.

Como evitar ser picado por uma vespa asiática?

  • Não agite os braços, nem as enxote se as vir.
  • Cubra a pele exposta usando mangas compridas e calças nas alturas que as vespas são mais ativas – como o nascer e o pôr-do-sol;
  • Calce sapatos fechados quando estiver na rua;
  • Aplique repelente de insetos na pele exposta e por cima da roupa. Se utilizar também protetor solar, faça-o antes de aplicar o repelente;
  • Tenha cuidado quando estiver perto de flores, lixos, águas estagnadas ou em zonas exteriores com comida;
  • Nunca perturbe os ninhos;
  • Evite acampar perto de zonas com água parada, como lagos e pântanos;
  • Mantenha os alimentos e bebidas tapadas enquanto estiver a consumi-los ao ar livre;
  • Em zonas de risco, mantenha as portas e janelas da casa e do carro fechadas, sobretudo no final do dia, ou coloque uma rede mosquiteira para prevenir a entrada de insetos.

Como identificar uma vespa asiática?

O inseto tem grandes dimensões, a cabeça é preta com face laranja ou amarelada. O corpo é castanho-escuro ou preto, aveludado, com uma faixa fina amarela. As asas são escuras e as patas castanhas com as extremidades amarelas. O tamanho varia de acordo com o alimento, o lugar e a temperatura, sendo que é uma das maiores espécies de vespas. A rainha pode ter até 3,5 centímetros.

Quais os riscos representados pela vespa asiática?

A presença da vespa representa um risco sob diferentes pontos de vista:

  • Apicultura – o efeito sobre a população de abelhas é direto, pois há uma grande predação por parte das vespas. E indireto, pela diminuição das atividades das abelhas perante a presença da vespa – que se traduz num enfraquecimento e eventualmente morte da colmeia. As consequências são uma menor produção de mel e produtos relacionados, e uma diminuição vegetal dada a importância das abelhas nesta função biológica;
  • Produção agrícola – principalmente pelo efeito indireto da diminuição da atividade polinizadora das abelhas. Além disso, a produção frutícola pode ser afectada, ao serem estas espécies vegetais fontes de hidratos de carbono na dieta da vespa – existindo relatos de estragos em pomares e vinhas de regiões invadidas;
  • Bem-estar e a segurança dos cidadãos – embora não sejam individualmente agressivas para o ser humano, reagem de forma bastante agressiva às ameaças ao seu ninho. Além disso, o grande tamanho que os ninhos podem atingir em zonas urbanas, resulta num maior risco para os cidadãos;
  • Ambiente – é uma espécie não indígena, predadora natural das abelhas e de outros insetos, o que pode eventualmente originar impactos significativos na biodiversidade.

O que faço se avistar um ninho de vespas asiáticas?
De acordo com a Guarda Nacional Republicana (GNR), a deteção ou a suspeita de existência de ninhos de vespa deve ser comunicada através dos seguintes meios:

  • Contactar a GNR, através da linha SOS Ambiente e Território (808 200 520);
  • Procurar os Bombeiros ou a Protecção Civil com informações do local e, se possível, fotos.
  • Inserção/georreferenciação online do ninho ou dos exemplares de vespa e preenchimento online de um formulário com informação sobre os mesmos, disponível no portal sosvespa.pt;
  • Preenchimento de um formulário e envio para Câmara Municipal da área onde ocorreu a observação;
  • Preenchimento de um formulário via Smartphone disponível no portal sosvespa.pt;
  • Pode solicitar a colaboração da junta de freguesia mais próxima do local de deteção/suspeita para preenchimento do formulário;
  • Deve sempre que possível anexar uma fotografia da vespa ou do ninho para possibilitar a identificação.

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