Logo paivense
Logo paivense

Nova tecnologia pode ajudar a “domar” relâmpagos

Uma equipa de cientistas usou lasers de baixa potência para estimular e direcionar uma descarga elétrica, uma tecnologia que pode ajudar a prevenir incêndios florestais.

Uma equipa de cientistas, liderada por Andrey Miroshnichenko da Universidade de Nova Gales do Sul em Camberra, na Austrália, descobriu como usar um raio laser para guiar descargas elétricas.

No fundo, os especialistas estão a desenvolver uma tecnologia de raio trator a laser para controlar o caminho e a direção dos raios. Esta tecnologia pode permitir que os cientistas controlem um raio, reduzindo o risco de incêndios florestais, destaca o Tech Explorist.

Resultados semelhantes foram obtidos no passado com lasers de alta potência, o que tornava o processo caro e perigoso. Agora, segundo Miroshnichenko, “descobrimos que, para direcionar partículas, não precisamos de lasers de grande intensidade, mas apenas de um dispositivo de baixa intensidade como um laser pointer”.

A tecnologia, que ainda não foi testada fora dos laboratórios, pode ser usada para controlar raios secos não associados a chuvas, que foram responsáveis por causar os incêndios florestais de larga escala na Austrália e no oeste dos Estados Unidos este ano.

“Podemos imaginar um futuro onde esta tecnologia poderá induzir uma descarga elétrica de nuvens passantes, ajudando a direcioná-la a alvos seguros e reduzindo o risco de incêndios catastróficos”, comentou o cientista Vladlen Shvedov.

A experiência foi realizada no interior de uma câmara fechada, onde foi dispersa uma nuvem de micropartículas de grafeno. Ao ser disparado, o feixe de laser aqueceu as micropartículas, criando um “caminho” condutor que guiou a descarga elétrica.

Para já, a equipa ainda não tem um plano definido para dispersar as partículas de grafeno na atmosfera no ambiente agitado de uma tempestade, por exemplo. Ainda assim, o raio trator a laser poderá ter aplicações no controlo das descargas elétricas em microescala, com aplicações em medicina ou em processos de soldagem na indústria.

A equipa realça que ainda há muito trabalho pela frente antes de o “raio trator de raios” poder ser usado em condições ambientais reais. O artigo científico foi recentemente publicado na Nature Communications.