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Jornais impressos caem nas vendas e Online é líder de audiências

A tiragem dos jornais impressos reduziu quase para metade. Em 2008 o jornalismo atingiu o auge da tiragem dos jornais, com valores a rondar os mil milhões. Mas este fenómeno veio a decrescer logo no ano seguinte, tendo alcançado o menor valor de tiragem em 2012.

A seguir o padrão está o número de vendas de jornais que, embora tenha recuperado da crise de 2012, o certo é que os dados denotam um decréscimo de, aproximadamente, 10% por ano. No geral, os jornais diários têm mantido o número de audiências anual, com um ligeiro declínio de cerca de 2%.

Infografia  : consumo de jornais nacionais (fonte: própria)

 

Mas a liderança das audiências continua a pertencer ao Correio da Manhã, seguido do Jornal de Notícias. É entre os 35 e os 44 anos que a população mais lê jornais diários e semanais. Os jovens preferem consumir conteúdos do meio impresso diário.

Mas é no online que as pessoas mais consomem, de forma paga, os conteúdos. O Público, por exemplo, passou de  454 para 12 257. Tal facto denota o crescente consumo do online, face ao decréscimo do consumo das notícias em papel. O grupo Confina Media é o atual líder de circulação total paga.

Os desportivos nacionais lideram a preferência masculina. Já as mulheres optam mais por lerem conteúdos de interesse geral.

Em termos territoriais, relativamente a impressos diários, semanários e revistas diárias, o Norte é o líder de audiências médias de publicações, sendo o sul o menor consumidor destes meios de comunicação.

Gráfico 2: Audiências de Imprensa revelam preferência por conteúdos gerias de informação (fonte: OberCom)

Da circulação paga, em 2015, foram os magazines quem mais aumentou a sua circulação, seguida da imprensa generalista, que bateu o recorde de audiências com mais de 193 milhões de circulação paga. Assuntos relacionados com economia e finanças têm vindo a despertar cada vez mais o interesse dos portugueses. Em 1994, o Diário Económico tinha uma circulação paga de mais de 4 mil exemplares e em 2015 já ultrapassava os 7 mil.

Menos 1288 jornalistas com carteira profissional de 2006 a 2017

Portugal perdeu mais de 1200 jornalistas em nove anos, segundo informações reveladas pela Carteira Profissional do Jornalista. Também a tiragem dos jornais impressos está em declínio De 2005 a 2015 houve menos 750 publicações. A população portuguesa está a consumir cada vez mais notícias publicadas, gratuitamente, no meio online.

Esta tendência de emagrecimento do número de profissionais da área do jornalismo está a acontecer desde 2006, tendo-se acentuado em 2009. Uma realidade positiva quando comparada com 1990, já que o conjunto dos profissionais totalizava 2374 jornalistas, apresentando um crescimento de cerca de 37% face aos dois anos anteriores.

Mas nem por isso os analistas consideram a conjuntura do jornalismo positiva. Rosária Rato, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas e representante da CCPJ, disse ao Diário de Notícias que os números decrescentes são reflexo do “crescimento assustador do desemprego”, que não deixa os jornalistas de fora do padrão nacional.

 

Gráfico 1:Número de jornalistas em Portugal está a diminuir (fonte: artigo científico intitulado “O Jornalismo em Portugal” de Miguel Crespo (2017)

 

A onda dos despedimentos não é um problema só da atualidade. Já em 2015 a Controlinveste despediu 64 dos seus trabalhadores. Também na Agência Lusa, agência noticiosa de Portugal, mandou para a rua outros 22 profissionais.

Também o Grupo Impresa preparava-se para aplicar, em 2017, uma carta de despedimento a cerca de 200 trabalhadores. A informação do sindicato dos jornalistas vinha na sequência do questionamento do motivo pelo qual este grupo, detentor de vários media como a  SIC e o Expresso, sentiu necessidade de despedir um elevado número de profissionais. Com estes, a Impresa queria ainda dispensar mais de uma dezena de fotojornalistas.

Mas o padrão das redações também tem vindo a modificar. Agora, são mais mais solteiros do que casados, de idades entre os 35 e os 44 anos e a maioria já possui licenciatura. Mas são os homens que continuam a liderar a produção de informação portuguesa.

Também o número de publicações periódicos em Portugal tem vindo a decrescer. De 2005 a 2015 houve menos 750 publicações, segundo dados publicados em 2016 pela OberCom. Em contrapartida, assiste-se cada vez mais a publicações dos jornais no meio online. Em 10 anos de jornalismo, os jornais duplicaram as suas publicações em sites de notícias.

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