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O maior icebergue do mundo ameaça o ecossistema da Geórgia do Sul

O maior icebergue do mundo ameaça o ecossistema da ilha da Geórgia do Sul, casa de muitos pinguins e focas e considerada um refúgio de vida selvagem.

Em causa está o icebergue A68a, que tem 4.200 quilómetros quadrados de gelo flutuante.

Em declarações à emissora britânica BBC, especialistas alertam que este corpo gigante de gelo pode encalhar na costa da Geórgia do Sul, ameaçando todo o ecossistema: as rotas habituais de alimentação podem ser bloqueadas e os vários espécimes que lá habitam podem não conseguir alimentar adequadamente as suas crias.

“Os ecossistemas podem e vão recuperar-se, é claro, mas há o perigo de que, se este icebergue ficar preso, possa ficar assim durante 10 anos (…) E isso faria uma enorme diferença, não só para o ecossistema, mas também para a economia da Geórgia do Sul”, afirmou o professor Geraint Tarling, do British Antarctic Survey (BAS).

A Geórgia do Sul, Território Britânico Ultramarino, é uma espécie de “cemitério” para os maiores icebergues da Antártida, segundo escreve a agência Europa Press.

Neste momento, o A68a está a atravessar o chamado “beco do icebergue”, localizando-se a apenas algumas centenas de quilómetros a sudoeste da ilha. Há grandes possibilidades de seguir a sua rota, flutuando até à costa da ilha antes de ficar preso no fundo do mar.

“Um icebergue próximo tem implicações enormes relativamente à área onde os predadores terrestres se podem alimentar (…) Quando falamos de pinguins e focas, num período realmente crucial para estes animais como é a criação dos seus filhotes, a distância que precisam percorrer para encontrar comida é realmente importante“, disse Tarling.

Se tiverem de fazer um grande desvio, isto significa que podem não consegui voltar para as suas crias a tempo de impedir que morram de fome durante o compasso de espera.

Imagens de satélite captadas recentemente sugerem que o A68a está numa rota de colisão direta em direção à Geórgia do Sul, mas o icebergue ainda pode escapar.

Tudo é possível, segundo Peter Fretwell, especialista em mapeamento remoto.

“As correntes devem levá-lo no que parece ser um estranho loop em torno da ponta sul da Geórgia do Sul, antes de virar ao longo da borda da plataforma continental e voltar para noroeste. Mas é muito difícil dizer exatamente o que vai acontecer“, explicou.