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Ordem nega proposta de 500 euros à hora. Ministério da Saúde reafirma valor

Nuno Fox / Lusa

A ministra da Saúde, Marta Temido

A Ordem dos Médicos nega a existência de uma proposta por parte do Ministério da Saúde para contratar anestesistas por 500 euros à hora, desmentindo as declarações da ministra da Saúde, Marta Temido. A tutela, por sua vez, reafirma o valor pedido e a veracidade das declarações.

Em comunicado, o Bastonário da Ordem dos médicos, Miguel Guimarães, exige um esclarecimento por parte da ministra, desafiando-a a “a apresentar publicamente os documentos oficiais emitidos pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) que comprovem as suas palavras ou, em alternativa, a dizer a verdade aos portugueses”.

Em declarações à SIC, o Bastonário vai ainda mais longe, garantindo recorrer à Justiça caso Marta Temido não comprove o que disse. “A Ordem dos Médicos reserva-se no direito de recorrer aos Tribunais dado o caráter ofensivo e indigno para os médicos como resultado das declarações proferidas”, pode ler-se também no comunicado.

“Qualquer pessoa de bom senso, compreenderia que, se tal proposta existisse, num turno de 12 horas, quase triplicava o ordenado de um mês”, defendeu o Bastonário.

Falando à RTP3 durante a manhã desta quinta-feira, Miguel Guimarães, sublinha que “os profissionais especialistas em anestesiologia no SNS, que estão no quadro, recebem um valor líquido que varia entre 8,32 e os 9,50 euros, consoante o regime seja de 35 ou 40 horas“. Neste sentido, conclui, “se o valor oferecido fosse de 500 euros à hora não faltariam profissionais, fossem quais fossem, dispostos a trabalhar“.

Entretanto, a meio da manhã desta quinta-feira e através de um comunicado enviado, o Ministério da Saúde reafirma as declarações, reiterando o valor de 500 euros à hora.

“Uma das respostas enviadas por uma destas empresas [de prestação de serviços] ao CHLC referia que os vários especialistas contactados não estavam disponíveis para trabalhar pelos valores propostos (cujos valores de referência constam do despacho 3027/2018) e incluía ainda a disponibilidade de um anestesista mediante o pagamento de 500 euros por hora“, pode ler-se no comentário da tutela.

“O Ministério da Saúde reafirma, por isso, a veracidade das declarações proferidas neste âmbito, de que existiu uma proposta no valor referido por parte dos prestadores de serviço”, frisa ainda a mesma nota.

Em causa estão as declarações de Marte Temido à SIC sobre a falta de anestesistas na Maternidade Alfredo da Costa, que encerrou na véspera de Natal por só ter um destes profissionais de saúde disponível. “Sempre resolveríamos se houvesse anestesistas a contratação pelo valor que nos e, no caso, o valor que nos é pedido é de 500 euros à hora. Sempre o faríamos, sucede que todavia não foi possível recrutar um segundo elemento”, disse Marte Temido.

Também à SIC, Miguel Guimarães reiterou que esta situação não corresponde à verdade. “Não é verdade que o Centro Hospitalar de Lisboa Central tenha emitido uma nota para contratar anestesistas a 500 euros à hora. A nota que o Centro Hospitalar de Lisboa emitiu (…) era de 37,75 euros à hora“, esclareceu o Bastonário.

“Esta notícia é falsa, é uma fake new que depois, obviamente, expande-se de uma forma brutal. A senhora ministra tem a obrigação de vir desmentir esta situação, vir dizer que se enganou, vir dizer que de facto ouviu dizer isto, mas que não corresponde à verdade e, portanto, ou temos declarações da senhora ministra a dizer a verdade sobre esta matéria ou, caso contrário, nos teremos não só de divulgar aquilo que é verdade, mas também recorrer para os tribunais”, reiterou Miguel Guimarães.

Na nota enviada às redações, a Ordem dos Médicos defende ainda que estas notícias são “um mito de Natal“.

Fonte: ZAP